O direito de família boliviano baseia-se principalmente na Constituição, no Código das Famílias e do Processo Familiar (Código de las Familias y del Proceso Familiar, Lei 603), na Lei de Crianças e Adolescentes (Lei 548), na Lei contra a Violência Familiar ou Doméstica (Lei 348) e na Lei de Proteção das Pessoas Idosas (Lei 369). O Serviço de Registro Cívico (Servicio de Registro Cívico, SERECÍ) registra nascimentos, filiação, reconhecimento de filhos, casamentos, uniões estáveis (unión libre), divórcios e falecimentos. Esses registros costumam ser necessários para outros procedimentos familiares, documentos de identidade e benefícios. O casamento civil é realizado perante o cartório civil competente (Oficialía) ou o SERECÍ. Os requisitos incluem, entre outros, consentimento livre, capacidade legal, maioridade e ausência de impedimentos legais ao casamento. Desde 24 de setembro de 2025, casamentos e unión libre envolvendo menores de 18 anos são inválidos desde o início nos termos da Lei 1639 e não podem ser confirmados posteriormente. Uma unión libre é uma união estável com intenção de permanência e efeitos pessoais e patrimoniais semelhantes aos do casamento. Pode ser registrada em conjunto ou unilateralmente no SERECÍ ou estabelecida por um tribunal em casos de conflito, falecimento ou documentos ausentes. O registro de união estável entre pessoas do mesmo sexo é possível segundo a Resolução 0175/2023 do TSE. Os pais têm deveres compartilhados em relação aos filhos, incluindo afeto, alimentação, moradia, cuidados de saúde, educação, proteção, representação e sustento. A filiação pode ser reconhecida voluntariamente ou estabelecida por tribunal; os filhos têm a mesma proteção jurídica independentemente do estado civil dos pais e em casos de adoção. A pensão familiar (asistencia familiar) é um apoio financeiro exigível dentro da família. Pode incluir alimentação, cuidados de saúde, educação, moradia, vestuário e recreação, e é determinada conforme a necessidade e a capacidade de pagamento. O mínimo legal está vinculado a 20% do Salário Mínimo Nacional (Salario Mínimo Nacional); o salário mínimo vigente e o cálculo específico devem ser verificados no procedimento pertinente. A separação não encerra a responsabilidade parental. Os pais podem acordar sobre cuidados, guarda, visitas e pensão; em caso de conflito, decide o tribunal de família competente. A guarda compartilhada pode ser considerada quando a estabilidade e a continuidade da criança estiverem asseguradas. A opinião da criança é levada em conta conforme idade e maturidade, e o contato com o genitor separado depende da segurança da criança. Em casos de violência ou coerção, um acordo particular não basta. Em casos de violência física, psicológica, sexual ou econômica, pode haver assistência, dependendo do local, pelo Serviço Municipal Integral de Apoio às Mulheres (SLIM), pela polícia ou pela unidade policial especializada em violência contra mulheres e famílias (FELCV), pelo Ministério Público (Ministerio Público) e por serviços forenses, psicológicos ou sociais. A mediação obrigatória não é permitida em casos de violência. A Defensoria Municipal da Criança e do Adolescente (Defensoría de la Niñez y Adolescencia) é um primeiro ponto de contato para negligência, exploração, tráfico de pessoas, crianças desaparecidas ou cuidados inseguros. Sua finalidade é preservar ou restabelecer cuidados seguros na família ou comunidade; a entrega privada de uma criança ou o pagamento por ela não substituem um procedimento de proteção. A adoção ocorre por meio de um procedimento de proteção infantil e judicial. Candidatos nacionais têm prioridade sobre procedimentos internacionais. Participam o escritório especializado departamental competente, a Defensoría e o tribunal de família ou de menores; em adoções internacionais, o Ministério da Justiça (Ministerio de Justicia) atua como autoridade central. Famílias têm deveres de apoio e proteção para com idosos de 60 anos ou mais e pessoas com deficiência. Não há evidência de um serviço público nacional uniforme de cuidados de longo prazo; em muitas regiões, parentes, comunidades e serviços municipais prestam cuidados. Mulheres grávidas e crianças menores de dois anos sem seguro social de curto prazo podem, sob certas condições, receber o benefício materno Juana Azurduy (Bono Juana Azurduy) e o Subsídio Pré-Natal Universal para a Vida (Subsidio Universal Prenatal por la Vida). Um relatório do ministério responsável para 2026 informa que o apoio pode durar até 33 meses e totalizar até Bs 1.820; cadastro no centro de saúde, documentos de identidade e registros de nascimento e saúde são relevantes para o acesso. Em caso de falecimento, o SERECÍ emite a certidão de óbito. Para orientação jurídica e, quando pertinente, representação gratuita a pessoas de baixa renda, o serviço de assistência jurídica SIJPLU pode ser responsável. Distância, documentos ausentes, barreiras linguísticas, custos, migração, pobreza e capacidade limitada das autoridades tornam o acesso especialmente difícil em áreas remotas. Comunidades indígenas camponesas podem tratar de questões familiares internas segundo suas próprias normas, desde que os requisitos constitucionais sejam atendidos e os direitos fundamentais continuem protegidos.
Família na Bolívia
A vida familiar na Bolívia envolve relações duradouras, responsabilidades compartilhadas e cuidados entre pais, filhos, parentes e outros familiares que prestam cuidados. Inclui formação da família, coabitação, filiação, apoio financeiro, cuidados, proteção, separação, cuidados de longo prazo e questões relacionadas a falecimentos. Existem procedimentos formais, mas o acesso varia segundo região, idioma, renda e acesso às autoridades.
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