Uma pessoa ou empresa que pretenda iniciar uma atividade formal na Eritreia normalmente escolhe a atividade, obtém qualquer autorização específica do setor, apresenta um pedido por escrito ao Ministério do Comércio e da Indústria ou ao respetivo Gabinete de Licenciamento Comercial, recebe aprovação na inspeção, obtém uma licença comercial e inscreve-se no Registo Comercial. A inscrição pode ser feita no gabinete competente de Zoba ou Sub-Zoba, ou na sede do Ministério. A licença indica o local, a atividade e o nome da empresa e deve ser afixada publicamente. Atividades sujeitas a qualificações profissionais, classificação ou aprovação setorial podem exigir autorizações distintas. Também pode ser exigida uma certidão da Administração Tributária ou uma confirmação de não oposição. As condições de acesso podem incluir ter pelo menos 18 anos, não ser funcionário do serviço público e ter cumprido o serviço nacional. Os investidores estrangeiros estão sujeitos a regras adicionais ao abrigo das Proclamações 127/2002 e 128/2002. A Proclamação 59/1994 abre formalmente áreas ao investimento, mas restringe a participação estrangeira no comércio interno a retalho e por grosso, nas importações e nas atividades de agência de comissões, salvo quando se aplique um acordo de reciprocidade ou uma dispensa governamental. Segundo relatos, o acesso atual aos setores e as condições de investimento dependem fortemente de decisões do Governo; a aplicação prática da lei de investimento não é totalmente transparente. O Centro de Investimento da Eritreia funciona diretamente sob a Presidência e está associado à certificação de investimentos, acordos de transferência de tecnologia, garantias de investimento, resolução de litígios e incentivos fiscais. O ambiente empresarial inclui pequenas lojas familiares, micro e pequenas atividades informais e empresas de maior dimensão ligadas ao Estado ou a estruturas da PFDJ (Frente Popular para a Democracia e a Justiça). A economia informal é significativa, embora a sua dimensão total não tenha sido verificada de forma independente. Avaliações recentes estimam a atividade do setor privado em menos de 7% do PIB e indicam que cerca de 80% das micro, pequenas e médias empresas são microempresas. A mineração, o agronegócio, a transformação alimentar, os têxteis, os materiais de construção e o pequeno comércio são exemplos de setores relevantes, mas as falhas de energia, as infraestruturas limitadas, a falta de mão de obra qualificada, as restrições cambiais e o controlo estatal limitam a expansão. Em geral, a continuidade da atividade exige uma licença válida, renovação e taxas anuais de registo e licença, cumprimento das obrigações fiscais e respeito pelos requisitos relativos a água, esgotos, eletricidade, construção, incêndios, saúde, saneamento e zoneamento. Ao abrigo da Proclamação 128/2002, o procedimento de renovação em atraso permite até 90 dias após o fim do ano fiscal e poderá conceder mais um período de até 60 dias, com uma multa de Nfa 2 por dia. A tabela de taxas atual não foi verificada publicamente. Uma licença só pode ser transferida ou cedida com aprovação do Ministério e prova de venda, doação ou herança. Informações falsas, condições por cumprir ou incumprimento regulamentar podem levar à suspensão ou revogação. Em determinadas decisões desfavoráveis, poderá ser possível recorrer para o Supremo Tribunal no prazo de 30 dias. O financiamento empresarial está concentrado no sistema bancário comercial estatal, que inclui o Banco Comercial da Eritreia e o Banco de Habitação e Comércio da Eritreia, sob a supervisão do Banco da Eritreia. Segundo relatos, o crédito privado exige frequentemente garantias e pode ter juros elevados. O nakfa não é livremente convertível, e o Banco da Eritreia controla as transferências e as divisas. O acesso a divisas para importações, exportações e matérias-primas é fortemente restringido. As fontes públicas não confirmam acesso generalizado a caixas automáticas, cartões ou banca correspondente; foi referido um limite de levantamento de 5.000 nakfas por mês. O Programa de Microcrédito e Poupança (SMCP) oferece uma alternativa de financiamento viável para algumas pequenas atividades. Relatórios oficiais de 2026 referem mais de 70.000 clientes ativos, mais de 760 bancos de aldeia e cobertura em cerca de 70% das aldeias, com mulheres a representar mais de metade dos clientes. Um relatório de 2025 da Região Central registou 76,5 milhões de nakfas distribuídos através de seis bancos de aldeia a mais de 11.000 clientes. Estes números são declarações oficiais sem auditoria independente. O programa é comunitário e orientado para grupos, apoiando o pequeno comércio, a agricultura e a pecuária em zonas rurais e urbanas; não substitui uma licença comercial obrigatória. Referências históricas sobre o registo apontavam para cerca de seis organismos públicos e aproximadamente 84 dias, mas não existe um portal público atual, verificado, de balcão único para o registo. Estes números não devem ser considerados uma promessa de serviço atual. Um indicador fiscal normalizado de 2020 registou um imposto sobre vendas de 5%, imposto sobre o rendimento das sociedades de 30%, imposto municipal sobre os rendimentos de 4%, 30 pagamentos ao longo de 216 dias e uma taxa fiscal total de 83,7%. São dados históricos de referência, não uma tabela atual de taxas confirmada. As fontes públicas também não permitem verificar os procedimentos atuais de liquidação, insolvência, saída do registo ou custos de encerramento de empresas na Eritreia.
Empresas na Eritreia
Na Eritreia, as empresas operam num sistema formal de licenciamento, mas o acesso prático é fragmentado e fortemente mediado pelo Estado. Em geral, uma empresa formal precisa da autorização aplicável, de um pedido por escrito, da aprovação numa inspeção, de uma licença comercial e de inscrição no Registo Comercial. Lojas familiares e atividades informais são comuns, enquanto o acesso ao financiamento, a divisas, a importações e à expansão independente do setor privado continua limitado.
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