No Iémen, a dívida é descrita localmente com termos como دين e مديونية. Pode resultar de empréstimos bancários ou de microfinanças, financiamento islâmico, crédito comercial, contratos por pagar, garantias ou empréstimos familiares. Prestações vencidas são montantes não pagos após a data acordada. Juros, taxas, prestações, garantias reais, moeda e períodos de reembolso dependem do contrato, prestador e zona financeira. Existem em paralelo acordos convencionais, islâmicos, baseados em qard, comunitários e informais. O Iémen tem duas zonas financeiramente separadas. O Banco Central do Iémen em Aden (CBY-Aden) opera sob o governo internacionalmente reconhecido; o Banco Central do Iémen em Saná (CBY-Saná) atua como autoridade concorrente de facto. Usam taxas de câmbio e notas diferentes, e não está estabelecido o alcance das medidas de proteção dos consumidores baseadas em Aden fora dessa zona. O CBY-Aden emitiu instruções de proteção dos consumidores com o número 589-20-8-2023 e iniciou em 2026 um سجل المتعثرين, ou registo de mutuários em incumprimento. A sua cobertura e interoperabilidade fora da zona de Aden não estão confirmadas. Desde 2023, a banca baseada em juros está proibida na zona de Saná, pelo que as formas contratuais e modelos de retorno diferem por região. A dívida pública continua em situação de grave tensão. A análise de sustentabilidade da dívida do Fundo Monetário Internacional estimou a dívida do governo central em cerca de 9,2 mil milhões de USD em 31 de dezembro de 2024, equivalente a aproximadamente 128% do PIB. Indicou cerca de 6,4 mil milhões de USD de dívida pública externa e com garantia pública e 3,5 mil milhões de USD de dívida interna, mas estes valores não se somam porque as classificações e o tratamento dos atrasados são diferentes. Uma estimativa de junho de 2025 indicou dívida por liquidar de 9,158 mil milhões de USD e mais 0,670 mil milhões de USD em atrasados e penalidades. Os atrasados externos equivaliam a cerca de 8% do PIB no fim de 2024. As Estatísticas da Dívida Internacional do Banco Mundial indicaram separadamente um stock de dívida externa de 7,087 mil milhões de USD em 2024, incluindo 5,665 mil milhões de dívida pública e com garantia pública e 0,912 mil milhões de crédito do FMI e Direitos de Saque Especiais; os diferentes âmbitos devem permanecer separados. A situação da dívida externa e global é considerada insustentável. Os pagamentos do serviço da dívida externa estão em grande parte suspensos desde 2014, à exceção de alguns reembolsos à Associação Internacional de Desenvolvimento e posições relacionadas com o FMI. Não foi estabelecido nenhum programa geral confirmado de perdão da dívida familiar ou nacional. Cerca de 90% da dívida pública interna consiste em crédito do CBY-Aden ao Estado. O restante inclui bilhetes do Tesouro, obrigações do Tesouro e sukuk. No início de 2023, um descoberto foi convertido numa obrigação a 30 anos, com período de carência de cinco anos e juros anuais de 1%. Estes números das finanças públicas não representam a dívida total das famílias ou pequenas empresas, que não foi medida de forma fiável em todo o país. Há empréstimos formais por bancos comerciais, bancos islâmicos, bancos de microfinanças e instituições de microfinanças. Os bancos de microfinanças operam ao abrigo da Lei n.º 15/2009 e sob supervisão do CBY. Muitos programas de microfinanças não governamentais operam ao abrigo do quadro das associações e fundações e dependem substancialmente do Fundo de Desenvolvimento Social (SFD). A Rede de Microfinanças do Iémen (YMN) representa mais de 95% das instituições locais de microfinanças. Não foi comprovado um sistema nacional de histórico de crédito, pontuação de crédito ou aconselhamento sobre dívidas. Os credores podem pedir documentos de identidade e morada, provas de atividade comercial ou fluxo de caixa, garantias reais, ouro, fiador (كفيل) ou penhor/hipoteca (رهن). Relatos sobre práticas também mencionam marido ou parente masculino, duas testemunhas ou caderneta de pensão, mas não são requisitos legais gerais para todos os mutuários. Mulheres, pessoas deslocadas internamente, mutuários rurais e pessoas com rendimentos informais enfrentam frequentemente obstáculos adicionais. O crédito informal e não formal tem grande relevância prática. Familiares e amigos podem emprestar dinheiro, comerciantes e retalhistas podem vender bens ou alimentos a crédito e cambistas ou redes hawala podem oferecer acordos que funcionam como crédito. Associações de poupança e empréstimo das aldeias, conhecidas localmente como جمعيات الادخار والإقراض القروية, são outra opção comunitária. O SFD e o CGAP documentaram mais de 360 grupos, com cerca de 8000 membros, entre 2018 e 2021; aproximadamente metade eram mulheres. Em geral, estes acordos não fornecem divulgações normalizadas, sistemas de reclamação ou proteção contra insolvência. O mutuário deve guardar o contrato, moeda, calendário das prestações, condições das garantias, taxas e recibos. Antes de assinar, deve verificar a licença do credor, autoridade supervisora e zona aplicável. Quando o reembolso se torna difícil, pode haver renegociação escrita do calendário, acordo, plano flexível ou perdão parcial, mas são exceções próprias de cada instituição, não um direito geral. Para reclamações contra um banco ou instituição de microfinanças, o mutuário normalmente contacta primeiro a instituição e depois, se a resposta for insuficiente, o organismo supervisor competente. A execução civil rege-se geralmente pela Lei n.º 40/2002. Em regra, o credor precisa de um سند تنفيذي, título executivo de crédito existente, quantificado e vencido, antes de pedir execução ao Tribunal de Execução competente ou قاضي التنفيذ. Uma injunção de pagamento (أمر أداء), depósito designado, fiança aceite ou acordo pode afetar o processo. Uma penhora cautelar (الحجز التحفظي) exige intervenção judicial; em geral, o devedor recebe pelo menos três dias de aviso e uma ação sobre o mérito e a validade deve normalmente ser apresentada nos oito dias seguintes. Se o devedor estiver ausente, o prazo do aviso de penhora é de pelo menos cinco dias. O credor pode também pedir a penhora de créditos ou bens do devedor detidos por terceiros. Em geral, a distribuição dá prioridade a créditos de alimentos, privilégios legais, credores hipotecários e depois credores sem garantia proporcionalmente. O requerente normalmente adianta os custos da execução, que poderão ser recuperados com o produto da venda. Não há tabela nacional fiável de taxas ou prazos de processamento. Um credor pode pedir proibição de viajar por dívida vencida ou título executivo. Num caso prévio à ação, geralmente tem três dias para apresentar a ação sobre o mérito. A proibição pode ser levantada mediante consentimento do credor, garantia bancária, fiador solvente, depósito designado ou falta de apresentação da ação dentro do prazo. A Lei n.º 40/2002 também permite detenção em casos limitados de dívida quando não há bens penhoráveis aparentes, o devedor parece solvente e não existe prova judicial de إعسار ou إفلاس. Pagamento, depósito designado, fiança aceite ou decisão judicial de insolvência ou falência podem fundamentar a libertação. A detenção acarreta riscos jurídicos e de direitos humanos graves e a prática varia muito devido ao conflito. A insolvência comercial é regulada principalmente pelo Livro V da Lei Comercial n.º 32/1991 e diz respeito a comerciantes e dívida comercial. Uma sentença de falência vence antecipadamente as dívidas monetárias, suspende os juros perante o conjunto dos credores e normalmente suspende ações individuais e execução por credores sem garantia ou geralmente privilegiados. Credores com garantia podem prosseguir contra as respetivas garantias. O tribunal e o administrador da insolvência gerem os bens do devedor. Um comerciante cuja perturbação empresarial conduza a توقف عن الدفع pode pedir concordata preventiva, الصلح الواقي من الإفلاس, após pelo menos dois anos consecutivos de atividade, desde que não haja fraude nem erro grosseiro. A concordata pode adiar o pagamento ou perdoar parte da dívida; uma concordata condicional não pode durar mais de cinco anos. A reabilitação pode ocorrer após pagamento integral ou cumprimento da concordata. Há tribunais comerciais especializados em Saná, Aden, Taiz, Hadramaut e Hodeidah. Noutros locais, os tribunais primários ordinários tratam das matérias relevantes. Tribunal competente, documentos disponíveis, linhas de controlo, condições de deslocação e capacidade local de execução podem alterar substancialmente o acesso. Não foi comprovado para os devedores familiares um equivalente nacional de insolvência do consumidor ou aconselhamento unificado sobre dívidas; por isso, acordo negociado, reclamações documentadas, aconselhamento jurídico e procedimentos judiciais específicos da zona continuam a ser as principais proteções documentadas.
Dívidas no Iémen
A dívida no Iémen inclui dinheiro emprestado, obrigações por pagar, prestações vencidas e créditos executados judicialmente ou negociados informalmente. O sistema financeiro está fragmentado entre as zonas de Aden e Saná, com autoridades financeiras concorrentes, taxas de câmbio distintas e práticas bancárias diferentes. No fim de 2024, a dívida pública iemenita foi estimada em cerca de 9,2 mil milhões de USD, ou 128% do PIB; famílias e empresas recorrem frequentemente a credores formais, empréstimos familiares, crédito de fornecedores e grupos comunitários de poupança.
VivAVia pode cometer erros. Verifique as informações importantes.

