No Lesoto, há dívida quando uma pessoa, empresa ou entidade pública recebe dinheiro, bens ou serviços e tem de reembolsar dinheiro ou cumprir outra obrigação posteriormente. O devedor tem a obrigação, e o credor pode exigir o reembolso nos termos do acordo ou da lei aplicável. A dívida pode ser garantida por bens ou não garantida. A dívida pública financia o Estado e difere da dívida privada de famílias ou empresas. O Departamento de Gestão da Dívida e da Ajuda do Ministério das Finanças trata dos contratos de empréstimo do Governo, serviço da dívida, financiamento do défice, empréstimos a terceiros e análise da dívida. O Orçamento do Lesoto de janeiro de 2025 indicou uma dívida pública total de M23,1 mil milhões: M19,3 mil milhões, ou 83%, eram dívida externa e M3,8 mil milhões, ou 17%, eram dívida interna. Os valores do FMI para o ano financeiro de 2024/25 situavam a dívida pública bruta em cerca de 56,8% do PIB, enquanto uma declaração de uma missão do FMI indicava 56,6%. O FMI avaliou como moderado o risco de sobre-endividamento externo e global e descreveu o país como tendo margem limitada para absorver choques. Os pagamentos em atraso internos, passivos contingentes e riscos de empresas públicas e garantias governamentais podem aumentar a pressão para além do montante de dívida registado. O Governo anunciou uma âncora orçamental de 60% do PIB, mas, segundo a avaliação da gestão do investimento público do FMI de 2026, o Lesoto não tinha regras orçamentais numéricas permanentes na lei. O FMI recomendou uma meta a médio prazo de 50% do PIB. Desde o ano financeiro de 2022/23, são publicados trimestralmente relatórios de transparência da dívida pública, normalmente com um atraso de três a seis meses. O processo de financiamento público passa geralmente de um plano de empréstimos para um acordo de financiamento do Ministério e, depois, para o serviço da dívida ou regularização de pagamentos em atraso. Dá-se prioridade a empréstimos concessionais. Obrigações do Tesouro e outros instrumentos de endividamento público são formas de financiamento do Estado, não programas privados de alívio da dívida. O crédito privado está disponível através de bancos comerciais, instituições de microfinanciamento licenciadas — incluindo instituições que apenas concedem crédito e instituições que também aceitam depósitos — grandes cooperativas financeiras e SACCO, mutuantes, prestadores de locação financeira e outros prestadores de serviços financeiros regulados. As opções não formais incluem associações locais de poupança e empréstimo, conhecidas como VSLAs, grupos rotativos de poupança e crédito e grupos comunitários de poupança ou crédito. Também há empréstimos privados informais. Os prestadores regulados têm de possuir a licença pertinente e estão sob a supervisão do Central Bank of Lesotho. Em geral, os prestadores avaliam a identidade, a capacidade de reembolso e o historial de crédito, e podem pedir garantias ou uma alternativa aceite. O LERIMA é um registo eletrónico de garantias sobre bens móveis, incluindo culturas, gado, produtos agrícolas e mercadorias, alojado e administrado pelo Central Bank of Lesotho. Não foi possível confirmar um montante mínimo de empréstimo, taxa de juro ou limite de capacidade financeira uniforme para todos os prestadores. Antes da assinatura de um contrato de crédito regulado, o prestador deve fornecer informação clara, justa e em linguagem simples, uma cópia da divulgação contratual e uma Ficha de Informação Essencial, ou KFS. A KFS apresenta o capital, o custo total do crédito, o montante total a pagar, a duração, a frequência dos pagamentos, a prestação, a taxa de juro efetiva, as consequências de atrasos ou falta de pagamento, o processo interno de reclamação e a possibilidade de recurso ao Central Bank of Lesotho. O custo total pode incluir comissões de abertura, documentação e avaliação de garantias, taxas de agências de crédito, seguro de vida de crédito, encargos de manutenção e seguros ou produtos obrigatórios. As regras proíbem taxas ou juros não divulgados, alterações unilaterais, discriminação e a utilização de cartão multibanco, passaporte ou documento de identidade como garantia. Um prestador não pode impor um produto inadequado ou incomportável, nem um valor superior ao necessário para o mutuário. O mutuário tem um período de reflexão de cinco dias úteis e pode fazer pagamentos antecipados em qualquer altura. Os mutuários devem verificar o contrato e a KFS, respeitar as datas de vencimento acordadas, pedir extratos periódicos e reagir rapidamente quando se torna difícil pagar. O prestador tem de avisar com pelo menos 30 dias de antecedência antes de alterar termos contratuais. Sempre que possível, o mutuário deve continuar a pagar os montantes não contestados enquanto apresenta uma reclamação. Não foi encontrado qualquer direito legal geral confirmado a uma reestruturação padrão ou plano de reembolso; negociar condições revistas com o credor continua a ser uma opção prática, cujo efeito jurídico depende do acordo escrito. Os pagamentos em atraso podem gerar informação de crédito desfavorável. O fornecedor tem de avisar o mutuário antes de comunicar informação negativa. Os dados de crédito devem ser exatos, completos e atualizados regularmente, e um litígio resolvido não deve voltar a ser comunicado como informação negativa. Em regra, o mutuário começa por apresentar queixa ao prestador. Se a resposta for insatisfatória ou não houver resposta no prazo de 30 dias, pode contactar a Divisão de Proteção do Consumidor Financeiro do Central Bank of Lesotho. A reclamação deve incluir uma exposição assinada, a referência ou resposta do prestador, o contrato e os extratos pertinentes. Os endereços de contacto publicados são registry@centralbank.org.ls e complaints@centralbank.org.ls. O relatório anual de 2024 do Banco Central registou 258 reclamações de consumidores, das quais 65% foram resolvidas ou encerradas; estes dados abrangiam vários setores financeiros e não apenas reclamações sobre dívidas. Antes da execução, um credor tem de enviar uma notificação escrita de incumprimento ao abrigo do Financial Consumer Protection Act. A notificação deve indicar o montante vencido e informar o mutuário do direito de sanar o incumprimento. Não foi confirmado um prazo universal para o fazer. A execução de garantias sobre bens móveis depende do contrato e do Security Interest in Movable Property Act. Após obter uma sentença, o credor também pode requerer execução judicial. Os direitos dos credores garantidos e não garantidos diferem, e os custos e prazos da execução dependem do contrato e do processo judicial. Para uma pessoa singular, a liquidação de bens por insolvência é um processo judicial ao abrigo da Insolvency Proclamation 1957. Não foram confirmados o custo atual da apresentação, o limiar exigido, a duração nem o prazo de reabilitação ou exoneração. Não foi encontrado no Lesoto um sistema nacional legal de aconselhamento sobre insolvência de consumidores ou de planos de liquidação de dívidas. Para uma empresa incapaz de pagar as suas dívidas, o Companies Act 2011 prevê liquidação judicial ou administração judicial. O Registrar, o Tribunal, o Master e o liquidatário têm responsabilidades distintas. Depois da publicação de um aviso de liquidação, os credores têm geralmente 14 dias úteis para notificar uma reclamação. Em geral, o liquidatário publica um aviso, uma lista e um inventário no prazo de 10 dias úteis e apresenta uma declaração de situação financeira ou propostas no prazo de 20 dias úteis. Um credor garantido pode executar a garantia, declarar uma reclamação garantida ou renunciar à garantia e reclamar como credor não garantido, sujeito ao processo e documentação aplicáveis. A Legal Aid Lesotho pode apoiar pessoas indigentes em litígios civis e contratuais. O principal ponto de acesso situa-se em Maseru, e as visitas aos distritos são marcadas separadamente. Não foram confirmadas as taxas atuais de insolvência, os prazos exatos nem um serviço nacional de aconselhamento sobre dívidas. O peso das dívidas familiares tem sido assinalado entre agregados afetados pela perda de empregos no setor mineiro, enquanto os relatórios do setor financeiro também apontam riscos de qualidade dos ativos e concentração de crédito. Não foram confirmados o volume atual da dívida nacional das famílias, a prevalência de pagamentos em atraso nem os valores exatos da dívida pública para 2026/27.
Dívida no Lesoto
A dívida no Lesoto é dinheiro ou outra obrigação que um devedor deve a um credor. Inclui crédito doméstico e empresarial, empréstimos públicos, pagamentos em atraso, cobrança, execução, reestruturação e insolvência. Os prestadores de crédito regulados têm de divulgar o custo total e os principais termos do contrato antes da celebração. Em janeiro de 2025, a dívida pública do Lesoto estava indicada em M23,1 mil milhões, incluindo M19,3 mil milhões de dívida externa e M3,8 mil milhões de dívida interna.
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