O Islão é a religião do Estado na Mauritânia, e as expectativas sobre relacionamentos estão estreitamente ligadas à família, à religião e ao casamento. O casamento formal é entre um homem e uma mulher segundo o Código do Estatuto Pessoal. Cria direitos e deveres reconhecidos, incluindo sustento, habitação, fidelidade e assistência mútua. O marido é juridicamente descrito como chefe do agregado familiar, enquanto a esposa auxilia na gestão da família; em geral, a esposa pode trabalhar fora de casa dentro dos limites da Sharia. Cada cônjuge pode gerir os seus bens pessoais de forma independente. A poliginia é permitida sob condições de equidade, e uma esposa atual ou futura deve ser informada quando outra esposa tiver estipulado a monogamia. Khitba significa proposta de casamento ou noivado. Qualquer das partes pode desistir, e a khitba não cria automaticamente direitos ou deveres matrimoniais. O contrato de casamento é necessário para o reconhecimento jurídico. Em geral, o casamento exige que ambas as partes tenham capacidade jurídica e pelo menos 18 anos, sujeito a uma exceção relacionada com tutor em caso de incapacidade. Exigem-se o consentimento da mulher adulta e um WELI, ou tutor matrimonial; o enquadramento jurídico considera o silêncio dela como consentimento. A sucessão de WELI pode incluir pai, irmão ou outros familiares paternos, e um juiz pode intervir quando o WELI recusa sem motivo válido. Também são necessários duas testemunhas honestas e um SADAQ, ou dote, acordado, conhecido e lícito. O contrato de casamento pode registar condições adicionais. O enquadramento jurídico restringe o casamento entre uma mulher muçulmana e um homem não muçulmano e entre um homem muçulmano e uma mulher que não seja Ahl al-Kitab. O registo do casamento utiliza a Agência Nacional do Registo de Populações e Títulos Seguros (Agence Nationale du Registre des Populations et des Titres Sécurisés, ANRPTS), geralmente através de um Centro de Atendimento ao Cidadão (Centre d’Accueil des Citoyens, CAC), em conjunto com o registo civil. Participam os cônjuges ou os seus representantes, o WELI e duas testemunhas. O ato de casamento regista documentos de identidade, o SADAQ e quaisquer condições acordadas. O registo nos termos do Código do Estatuto Pessoal deve ocorrer no prazo máximo de três meses. O portal oficial é gratuito e as certidões são emitidas no CAC, mas não há um prazo geral fiável de processamento indicado. Um casamento não registado só pode ser provado por sentença judicial definitiva. A relação sexual consensual fora do casamento é tratada como zina, o delito do Código Penal relativo a relações sexuais extraconjugais, no caso de adultos muçulmanos. O artigo 307 prevê prova através de quatro testemunhas, confissão ou gravidez de uma mulher. Para uma pessoa solteira, o texto prevê flagelação pública e um ano de prisão; para uma pessoa casada ou divorciada, prevê lapidação. O artigo 308 prevê lapidação pública para um ato entre homens muçulmanos adultos do mesmo sexo, enquanto as mulheres são abrangidas pelo artigo 306. A aplicação prática relatada difere do texto legal: segundo relatos, as disposições relativas a pessoas do mesmo sexo não foram aplicadas, e a última lapidação de que há registo ocorreu há mais de 30 anos. Ainda assim, a exposição jurídica e social permanece elevada. As relações entre pessoas do mesmo sexo não são reconhecidas juridicamente, e a coabitação sem casamento não tem estatuto jurídico equivalente. O casamento infantil continua prevalente, particularmente em áreas rurais, apesar da idade legal de 18 anos e da aplicação fraca da lei. A UNICEF relata que mais de um terço das mulheres entre 20 e 24 anos se casaram antes dos 18; um indicador da OCDE de 2023 regista 27,8% das raparigas entre 15 e 19 anos como casadas ou em união, segundo a definição desse indicador. Estes números referem-se a populações e medidas específicas e não devem ser tratados como descrição de todos os relacionamentos. A violência por parceiro íntimo é um risco direto nas relações. Uma medida da OCDE de 2023 indica prevalência ao longo da vida de 8,8% e de 6,4% nos 12 meses anteriores entre as mulheres e raparigas abrangidas pelos dados. Outra medida concluiu que 26% das mulheres entre 15 e 49 anos consideravam justificável um marido bater na esposa em circunstâncias especificadas. As informações mais recentes verificadas não confirmaram a aprovação de uma lei abrangente contra a violência contra as mulheres; um projeto continuava pendente. Não presuma a existência de uma lei geral de proteção nem de uma via garantida para abrigo. O Ministério da Ação Social, da Infância e da Família (MASEF), através da Direção da Família, da Promoção da Mulher e do Género (Direction de la Famille, de la Promotion Féminine et du Genre, DFPFG), oferece consultas jurídicas ou sociais a familiares. Não são necessários documentos substantivos para a consulta. O apoio possível inclui assistência social, apoio jurídico ou judicial, apoio à manutenção e mediação social, com encaminhamento para a autoridade competente. O processo pode diferir quando o cônjuge vive numa wilaya do interior, no estrangeiro ou nas forças armadas. O Gabinete regional de Assistência Judiciária do Ministério da Justiça pode apoiar quem não consegue pagar assistência jurídica. Em geral, exige identificação, comprovativo de residência, prova de pobreza ou de inscrição no registo social e um resumo do caso ou evidências. A assistência jurídica é gratuita e pode demorar de 15 dias a, no máximo, um mês. O casamento pode terminar por morte ou dissolução. Talaq é a repudição unilateral pelo marido, registada por um juiz ou Mouslih, conciliador, depois de tentativa de conciliação. Khol’ é a repudição iniciada pela esposa em troca de compensação lícita. Tatliq é a dissolução decretada por um juiz. A esposa pode pedir o divórcio por dano comprovado após falhar a conciliação; a recusa de prestar sustento também pode fundamentar um pedido. A ausência do marido por mais de um ano pode constituir fundamento para o divórcio, enquanto o desaparecimento geralmente exige quatro anos antes desse processo. Podem participar árbitros de ambas as famílias e, se a conciliação falhar, o juiz pode prosseguir. Após a separação, uma declaração de divórcio é tratada pela ANRPTS ou por um CAC mediante declaração judicial que confirme talaq ou sentença que confirme tatliq, juntamente com um extrato do casamento. O serviço é gratuito, mas não há prazo geral de processamento indicado. A ex-esposa pode reclamar nefaqa, ou sustento, e um presente de consolação. A idda, período de espera, dura três ciclos menstruais ou três meses quando a mulher não está grávida, e durante a gravidez prolonga-se até ao parto. A viuvez tem período de espera de quatro meses e dez dias. Uma criança nascida fora do casamento não recebe automaticamente filiação jurídica em relação ao pai ao abrigo do artigo 71 do Código do Estatuto Pessoal; o principal efeito jurídico indicado é uma proibição de casamento. A ANRPTS tem um procedimento de registo de criança adulterina, que exige autorização do procurador, é tratado no CAC ou na ANRPTS e não tem prazo de processamento indicado. O procedimento é gratuito. Para preocupações relativas a infeções sexualmente transmissíveis ligadas à intimidade, o Ministério da Saúde presta consulta de dermatologia ou IST durante o horário de trabalho por 50 MRU, sem necessidade de documentos. A confirmação do VIH através do INRSP exige formulário médico de análise, é gratuita e demora aproximadamente dois a dez dias úteis.
Relacionamento amoroso na Mauritânia
Os relacionamentos amorosos na Mauritânia são fortemente influenciados pelo Islão, pela participação da família e pelo enquadramento jurídico do casamento. Khitba, proposta de casamento ou noivado, não tem efeito jurídico; o casamento formal estabelece a relação reconhecida, enquanto a coabitação sem casamento e as relações entre pessoas do mesmo sexo não têm estatuto jurídico equivalente. A intimidade fora do casamento é criminalizada no Código Penal, embora a aplicação prática possa diferir do texto da lei.
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