O direito civil mongol baseia-se principalmente no Código Civil de 2002 e em leis relacionadas. Reconhece a igualdade das partes privadas, autonomia pessoal, proteção da propriedade, liberdade contratual, não interferência e indenização por danos por acordo ou proteção judicial. Um tratado internacional tem prioridade quando se aplica. Uma lei estrangeira pode reger uma relação quando as regras mongóis de conflito de leis permitirem e sua aplicação não contrariar a legislação mongol. Uma pessoa tem capacidade civil desde o nascimento até a morte. A capacidade plena geralmente começa aos 18 anos. Um tribunal pode emancipar uma pessoa de 16 ou 17 anos com o consentimento exigido dos pais ou tutor. Pessoas de 14 a 17 anos geralmente têm capacidade parcial. Uma pessoa jurídica adquire capacidade quando inscrita no Registro Estatal e a perde com a liquidação e exclusão desse registro. Cidadãos estrangeiros e apátridas geralmente têm capacidade civil comparável à dos cidadãos mongóis, sujeita a restrições legais. Uma pessoa pode agir pessoalmente, por representante legal ou por advogado. Os contratos podem ser orais, escritos, autenticados em cartório ou eletrônicos, conforme a transação. Um contrato eletrônico usa assinatura eletrônica ou digital quando exigido por lei. Formas comuns incluem compra e venda, permuta, doação, empréstimo, locação, arrendamento financeiro, arrendamento de terras, franquia, penhor, hipoteca e fiança. As partes devem cumprir suas obrigações adequadamente, no prazo acordado e de boa-fé. Uma violação pode levar à execução, indenização ou soluções contratuais. A transferência de todos os bens atuais exige autenticação em cartório. Um contrato patrimonial entre cônjuges deve ser escrito e autenticado em cartório. As partes podem escolher a lei aplicável, mas, se não o fizerem, a regra padrão depende do tipo de contrato. O prazo prescricional geral é de 10 anos; para reclamações contratuais geralmente é de 3 anos e para reclamações referentes a contratos sobre imóveis, geralmente 6 anos. Os bens podem ser de propriedade pública ou privada. A propriedade pública pode pertencer ao Estado, autoridade local, órgão eclesiástico ou comunidade. A propriedade privada pode pertencer a uma pessoa ou ser compartilhada por várias. A propriedade normalmente inclui posse, uso, disposição e proteção do bem. Direitos sobre imóveis e direitos relacionados, como usufruto, penhor e hipoteca, são registrados no Registro Estatal Integrado. Em geral, as terras permanecem propriedade estatal. De acordo com regras especiais de alocação de terras, a propriedade privada de terras está disponível a cidadãos mongóis para fins como necessidades familiares e agricultura; o Código Civil não cria um direito geral de propriedade privada de terras para pessoas estrangeiras. Transferências, vendas, permutas, doações e penhores de terras seguem procedimentos legais e podem envolver o Registro Estatal, o Escritório de Terras e o governador de um soum ou distrito. Registro, limites e uso permitido afetam a situação jurídica. Custos comuns incluem imposto de selo, taxas notariais, avaliação e registro. Uma reclamação por danos patrimoniais geralmente tem prazo prescricional de 5 anos. As relações familiares são regidas principalmente pela Lei da Família, o Código Civil e as regras de registro de estado civil. Em geral, o casamento exige que ambas as partes tenham pelo menos 18 anos, consintam livremente e registrem o casamento na autoridade de registro estatal ou em missão diplomática mongol. Direitos e deveres matrimoniais começam com o registro. O divórcio é tratado por tribunal, que normalmente considera primeiro uma reconciliação e pode suspender o processo por até 3 meses. Essa etapa pode ser dispensada em casos de violência ou dano grave. Mediação ou acordo podem tratar de guarda, sustento e bens em copropriedade. Se os pais não concordarem, o tribunal considera idade da criança, cuidados, condições de vida, capacidade e conduta das partes e eventual violência. O tribunal considera a opinião de uma criança com 7 anos ou mais. Cônjuges, pais e filhos podem ter deveres mútuos de sustento. As regras de pensão alimentícia incluem valores mínimos específicos. Para criança com menos de 11 anos, a pensão geralmente corresponde a 50% do salário mínimo regional de subsistência. Para criança de 11 a 16 anos, ou até 18 anos enquanto frequenta a escola, geralmente é de pelo menos o salário mínimo de subsistência. Quando o devedor recebe somente salário ou renda equivalente, as deduções geralmente se limitam a 50% do salário mensal. O sustento de cônjuge ou parente é geralmente de pelo menos o salário mínimo regional de subsistência quando as condições legais se aplicam. Um acordo de sustento autenticado em cartório pode embasar uma ordem direta do juiz e sua execução. A adoção exige consentimento escrito e autenticado em cartório dos pais, e a criança com 7 anos ou mais deve consentir. O pedido de adoção é feito ao governador do soum ou distrito, cuja decisão geralmente é emitida em 20 dias corridos, seguida do registro civil e familiar. Em geral, um adotante estrangeiro usa a autoridade competente do seu Estado de origem; pode aplicar-se uma exceção de residência de 6 meses. A tutela geralmente se refere a crianças com menos de 14 anos, enquanto a curatela se refere a crianças de 14 a 17 anos. O governador do soum ou distrito nomeia e supervisiona tutores e arranjos de curatela. Podem se aplicar custos de registro, cartório e tribunal. Reclamantes insolventes de pensão alimentícia podem se qualificar para assistência jurídica gratuita. A sucessão pode ocorrer por testamento ou por sucessão legal. O espólio é aberto na data da morte ou da declaração de morte, geralmente na última residência da pessoa falecida ou no local onde esteja o principal patrimônio. Os herdeiros legais geralmente incluem cônjuge, filhos adotivos e biológicos, pais ou pais adotivos em partes iguais. Se estiverem ausentes, renunciarem ou forem desqualificados, a sucessão pode passar a avós, irmãos e netos, seguidos de outros descendentes. Uma pessoa dependente com deficiência pode ter direito a uma parte igual. Em geral, considera-se que um herdeiro que residia com a pessoa falecida aceitou a herança, salvo se apresentar recusa autenticada em cartório a um tabelião ou governador de soum ou bagh em até 3 meses. Outros herdeiros podem aceitar tomando posse ou administrando o espólio ou solicitando-o a um tabelião ou governador de soum ou bagh em até 1 ano. Em geral, considera-se renunciado o direito de aceitação tardia, embora um tribunal possa restabelecê-lo por motivo justificado. O certificado do direito à herança geralmente é emitido após 1 ano, com exceções para emissão anterior. Credores geralmente têm 1 ano para apresentar reclamações. Os herdeiros podem dividir o espólio por acordo; disputas vão a tribunal. A responsabilidade civil pode surgir de contrato ou de ato intencional ou negligente que prejudique direitos, vida, saúde, dignidade, reputação empresarial ou propriedade. Danos patrimoniais podem ser reparados, substituídos, restaurados ou pagos em dinheiro. Pode haver indenização por danos imateriais decorrentes de informação difamatória mesmo sem prova de perda material. Pode surgir responsabilidade por produtos defeituosos sem contrato, embora as regras de proteção do consumidor sejam o regime principal para questões de consumo. Morte ou incapacidade laboral podem gerar pagamentos periódicos. Também há regras para enriquecimento sem causa e cumprimento de obrigação alheia. O prazo prescricional geral é de 10 anos, e geralmente se aplica o prazo de 5 anos a reclamações por danos patrimoniais. Os processos civis mongóis são julgados pelo Supremo Tribunal, tribunais de apelação de nível de aimag e da capital e tribunais de primeira instância de soum, inter-soum e distrito. Um aimag é uma divisão administrativa de nível provincial. Uma ação escrita é apresentada por uma parte ou representante, inclusive advogado. As provas podem incluir explicações das partes, depoimentos de testemunhas, documentos, provas físicas, opiniões periciais e áudio ou vídeo. Cabe principalmente às partes apresentar e obter provas, embora o tribunal possa ordená-las ou coletá-las. Os processos e documentos são em mongol. Um participante que não compreenda mongol pode solicitar intérprete; provas em idioma estrangeiro geralmente exigem tradução para o mongol feita por tradutor licenciado e certificada em cartório. A apelação é protocolada por meio do tribunal que decidiu o caso. O painel de apelação tem três juízes, e o prazo habitual de revisão é de 30 dias após o recebimento dos autos. O Supremo Tribunal trata da cassação ou revisão dentro de sua competência. Em geral, o autor adianta o imposto de selo estatal. Se vencer, o réu pode ter de reembolsá-lo. As despesas judiciais também podem incluir custos de perícia, intérprete, testemunhas, exames, armazenamento e viagem, conforme a tabela de taxas e o processo. Pessoas insolventes podem se qualificar para orientação jurídica gratuita, e a representação integral gratuita está disponível especificamente em alguns casos protegidos, incluindo certas reclamações de pensão alimentícia por pessoas insolventes. A Organização de Prestação de Assistência Jurídica, suas filiais e advogados estatais subordinados ao órgão central de assuntos jurídicos prestam assistência conforme as regras de elegibilidade aplicáveis. A arbitragem é possível quando as partes têm acordo de arbitragem. Tabeliães tratam de autenticações, assinaturas, atos sucessórios e alguns atos patrimoniais. Uma sentença civil definitiva, ordem judicial de procedimento simplificado, decisão estrangeira ou internacional elegível, sentença arbitral, escritura autenticada em cartório ou outra ordem prevista em lei podem ser executadas. A Agência de Execução de Decisões Judiciais e seus oficiais conduzem a execução. Decisões civis comuns geralmente têm prazo de execução de 4 anos. Categorias estrangeiras, internacionais, arbitrais e notariais geralmente têm prazo de 3 anos, enquanto uma ordem judicial que valide medidas de execução geralmente tem prazo de 2 anos. Obrigações de cuidado e pagamentos periódicos seguem regras especiais contínuas. Um credor pode pedir ao tribunal que restabeleça um prazo perdido por atraso justificado. Um credor ou devedor pode participar da execução, consultar o processo, obter cópias e explicações, apresentar pedidos e solicitar o afastamento de um oficial de execução. As medidas podem incluir notificação, desconto de renda, declarações de patrimônio, buscas, consultas a registros, congelamento ou lacração de bens, apreensão de garantias, bloqueio de ativos bancários, venda ou leilão, administração de imóveis e restrições de viagem. Em geral, uma declaração tem prazo de 7 dias. As medidas de execução são normalmente aplicadas entre 06:00 e 22:00. Um devedor pode ser incluído no registro nacional de devedores. Pode haver restrição de viagem para uma dívida pecuniária superior a MNT 50.000.000 ou uma obrigação de cuidado atrasada por mais de 3 meses quando há risco de evasão, ocultação ou fuga. Custos de armazenamento, transporte, avaliação, venda, busca e comunicação podem ser inicialmente cobrados por meio da agência de execução e gerar custos ao credor. Ordens de oficiais de execução podem ser contestadas dentro do prazo legal, e a polícia pode ajudar em buscas e na segurança. Serviços judiciais, arbitrais, notariais, de registro civil, registro de pessoas jurídicas e registro de imóveis podem ter imposto de selo estatal ou outras taxas. O valor depende do montante da reclamação, valor da transação ou tarifa do serviço, e não de uma taxa universal. A elegibilidade para assistência jurídica depende principalmente da insolvência, que pode ser avaliada pela base de dados integrada de assistência social familiar ou por comprovante de um governador de bagh ou khoroo junto com prova de renda abaixo da linha da pobreza. A representação integral gratuita não é automática para toda disputa civil.
Direito civil na Mongólia
O direito civil na Mongólia rege relações jurídicas entre pessoas e organizações privadas, incluindo contratos, propriedade, questões familiares, herança, responsabilidade, processos judiciais e execução. O Código Civil de 2002 protege a capacidade jurídica, propriedade, liberdade contratual e indenização por danos. Direitos e procedimentos podem depender de registro, localização, tipo de pedido e autoridade responsável.
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