As famílias paraguaias podem se formar por casamento registrado, união estável, pública e exclusiva, ou por relações entre pais e filhos e com a família ampliada que proporcionem cuidado e apoio. As comunidades indígenas podem seguir suas próprias regras de organização social quando compatíveis com os direitos constitucionais. O Registro del Estado Civil, subordinado ao Ministerio de Justicia, registra casamentos, nascimentos e óbitos. Em geral, um pedido de casamento exige carteiras de identidade, quatro testemunhas e, quando pertinente, certidões de nascimento, óbito ou divórcio; documentos estrangeiros podem exigir apostila ou legalização. As taxas seguem a tabela vigente do REC, e cerimônias fora do cartório ou em dias não úteis podem ter cobranças adicionais que devem ser confirmadas diretamente. Uma unión de hecho é uma união estável, pública e exclusiva, sem impedimentos para o casamento. Após quatro anos de vida em comum, aplicam-se as regras de comunhão de bens. Após dez anos, os parceiros podem fazer uma declaração conjunta perante o REC ou um Juzgado de Paz, o que pode dar à união efeitos equivalentes aos do casamento, inclusive direitos sucessórios. A convivência sem esse reconhecimento tem efeitos jurídicos mais limitados. O registro de nascimento é feito no REC com a certidão médica de nascimento e documentos de identidade. Uma criança nascida dentro do casamento também pode ser registrada com a certidão de casamento ou o livro de família. Para uma criança nascida fora do casamento, ambos os pais podem fazer uma declaração conjunta, ou a mãe pode registrá-la sozinha; os dados do pai exigem reconhecimento. Nascimentos domiciliares podem exigir testemunhas e declarações de residência ou juramentadas. O primeiro registro e a primeira certidão de nascimento são gratuitos, enquanto casos atrasados ou incomuns podem exigir um procedimento adicional. Todas as crianças têm o mesmo status jurídico, e a paternidade pode ser reconhecida, contestada ou estabelecida por exame de DNA. Os pais devem aos filhos menores alimentos, moradia, vestuário, educação, assistência médica e lazer. Uma mulher grávida pode pedir ao pai da criança apoio para os custos da gravidez e do parto. Filhos adultos podem ter o dever de sustentar pais que não consigam suprir suas necessidades. O Código Civil considera primeiro os cônjuges, depois pais e filhos, em seguida irmãos, avós e outros ascendentes, e então sogros e genros ou noras. As contribuições devem corresponder às possibilidades e necessidades das partes. O Código de la Niñez y la Adolescencia dá prioridade ao melhor interesse da criança. Juzgados de la Niñez y la Adolescencia, Defensorías de la Niñez, Fiscalía, Polícia e unidades locais da CODENI tratam de questões de proteção, residência, contato e sustento. A mediação gratuita da Dirección de Mediación da Corte Suprema pode tratar de pensão alimentícia, revisão do valor, acordos de contato, filiação e guarda; o acordo pode ser usado como instrumento jurídico após homologação. O divórcio é concedido por um tribunal, inclusive por consentimento mútuo, e pode tratar do cuidado parental, arranjos de moradia, contato, sustento e divisão dos bens do casal. Em casos de violência contra mulheres, o SOS Mujer 137 é gratuito, confidencial e está disponível em todo o país, 24 horas por dia. Pode conectar a pessoa que liga com a Polícia ou o 911, uma delegacia, a Fiscalía ou um Juzgado de Paz. A SEDAMUR e os centros regionais para mulheres oferecem assistência jurídica, psicológica e social, inclusive abrigo para mulheres com filhos. O Fono Ayuda 147 é gratuito, confidencial e está disponível 24 horas por dia para preocupações relacionadas a crianças; o MINNA coordena com CODENI, Defensoría, tribunais, Fiscalía, Polícia, MSPBS, MEC e MinMujer. Quando as crianças não podem permanecer em segurança com a família, a Lei 6486/2020 dá prioridade à preservação e à reunificação familiar. As autoridades consideram, nessa ordem, a família ampliada, um ambiente afetivo próximo, uma família acolhedora credenciada, um abrigo residencial e o cuidado institucional. A falta de dinheiro, por si só, não é motivo para separar uma criança. A guarda temporária ou o acolhimento familiar têm supervisão judicial; audiências urgentes podem ocorrer em até seis horas, medidas de emergência podem durar até sete dias, e certos encaminhamentos ou decisões devem ocorrer em até 24 horas. A adoção é excepcional e exige decisão final de adotabilidade após tentativas de localizar parentes e preservar os vínculos. O Centro de Adopciones do MINNA credencia candidatos e propõe colocações, mas a decisão cabe a um tribunal. A adoção nacional tem prioridade, e a diferença de idade indicada para candidatos é de 25 a 60 anos. O registro de óbito geralmente é feito no REC em até 24 horas, com certidão médica de óbito e documentos de identidade. Se não houver certidão médica, podem ser necessárias duas testemunhas. O registro e a certidão do cemitério são gratuitos, embora casos estrangeiros ou especiais possam exigir decisão judicial. O acesso a cartórios e serviços varia entre departamentos, e as fontes oficiais não estabelecem um custo total ou prazo de processamento uniforme para todos os procedimentos familiares. O apoio informal da família ampliada tem importância prática, mas seus efeitos jurídicos podem depender de reconhecimento, acordos de guarda ou decisão judicial.
Família no Paraguai
A vida familiar no Paraguai inclui casamento, uniões estáveis, relações entre pais e filhos, apoio doméstico, cuidados, proteção e transições familiares. A Constituição protege o casamento, as uniões estáveis, as relações familiares, a ancestralidade, a manutenção e a prevenção da violência familiar. Lares ampliados e multigeracionais são comuns: o censo de 2022 registrou 44,5% de domicílios nucleares completos, 26,7% de domicílios ampliados e 41,0% de domicílios chefiados por mulheres.
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