O namoro e o cortejo na Papua-Nova Guiné não têm sistema nacional de registo, aconselhamento obrigatório ou processo estatal de apresentação de parceiros. Famílias, clãs, igrejas e líderes consuetudinários podem participar, dependendo da comunidade e das circunstâncias do casal. Segundo as orientações do Registo Civil e de Identidade da Papua-Nova Guiné, a coabitação não tem o mesmo estatuto jurídico de um casamento registado. Um casamento consuetudinário é formado pelo consentimento e pela troca de dinheiro ou bens segundo o costume local. A troca pode envolver dinheiro, porcos ou outros bens e é muitas vezes chamada preço da noiva ou dava, mas o seu significado, valor, momento e efeito jurídico variam entre tribos e grupos. O registo exige documentação da prática local e pode basear-se numa notificação ou certidão de um magistrado do Tribunal de Aldeia, ou numa bênção da igreja ou certidão do sacerdote. Nos termos da secção 39 da Lei de Alteração do Registo Civil de 2014, o registo do casamento consuetudinário limita-se a um nativo da Papua-Nova Guiné conforme definido pela lei; um estrangeiro não pode contrair casamento consuetudinário ao abrigo dessa regra. O mesmo quadro jurídico refere uma primeira esposa e um primeiro marido, e relações bígamas ou poliândricas podem constituir infração. O casamento civil ou estatal utiliza um celebrante registado ou administrador provincial ao abrigo da Lei do Casamento. O processo habitual inclui notificação da intenção de casar, pesquisa no registo, pagamento da taxa, documentos de identidade e estado civil, uma etapa de aconselhamento ou entrevista com o celebrante, sete dias de aviso, cerimónia com uma testemunha por cada parte e emissão da certidão e registo. Candidatos estrangeiros podem precisar de uma declaração de estado civil, certidão de nascimento, passaporte, visto ou autorização de trabalho e confirmação do empregador; as orientações do registo também mencionam residência superior a dois anos. A tabela de taxas publicada pelo Registo Civil e de Identidade da Papua-Nova Guiné em 2020 indica pesquisa nacional a K10, cerimónia normal a K200, cerimónia urgente a K250, certidão a K20 e certidão urgente a K40. Para um estrangeiro, a taxa indicada para pesquisa é K200, cerimónia normal K200, cerimónia urgente K300, certidão K20 e certidão urgente K80. Estas taxas publicadas devem ser confirmadas junto do Registo Civil e de Identidade antes de tomar providências. A certidão de casamento constitui prova jurídica do casamento e pode apoiar questões como herança, direitos, segurança social, nacionalidade ou viagens, proteção, habitação e contas conjuntas. A Constituição estabelece como objetivo nacional a igualdade de direitos e deveres no casamento e a parentalidade responsável em igualdade, mas os efeitos práticos de um relacionamento dependem da sua forma jurídica e do procedimento aplicável. A Papua-Nova Guiné não reconhece o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. A atividade sexual entre homens do mesmo sexo é criminalizada pelas secções 210 e 212 do Código Penal, criando riscos jurídicos e sociais graves; o casamento entre mulheres do mesmo sexo também não é reconhecido. O consentimento sexual exige acordo livre e voluntário. Força, ameaças, medo, detenção, sono ou inconsciência, intoxicação, deficiência, abuso de confiança ou poder e a retirada do acordo impedem o consentimento válido. O silêncio, a falta de resistência, a ausência de lesão e um acordo anterior não comprovam consentimento. A base de investigação citada indica pena máxima de 15 anos para violação e prisão perpétua para violação agravada. A Lei de Proteção da Família de 2013 criminaliza a violência doméstica e permite proteção por meio de ordens de proteção familiar e ordens provisórias de proteção. Tribunais distritais e tribunais de aldeia podem tratar de proteção, condições de bom comportamento, acordos relativos a bens ou residência exclusiva, aconselhamento e mediação. A alteração de 2022 eliminou as taxas judiciais e de requerimento, introduziu um aviso urgente de proteção e reforçou as sanções por incumprimento. A definição legal de família não abrange expressamente todas as relações exclusivamente de namoro; por isso, a proteção num caso que não envolva cônjuges deve ser confirmada com um tribunal, agente policial ou prestador de assistência jurídica, em vez de ser presumida. A polícia, os tribunais de aldeia, os tribunais distritais, o Tribunal Nacional, unidades de saúde, Centros de Apoio à Família e casas de abrigo podem prestar diferentes tipos de ajuda. Entre as clínicas designadas em Port Moresby está o Centro de Apoio à Família do Hospital Geral de Port Moresby. Uma declaração governamental de 2025 indicou 56 casas de abrigo em 17 províncias, mas a disponibilidade e cobertura reais variam. A política de saúde pretende que o planeamento familiar seja gratuito ou acessível e apoia informação, testes e tratamento de IST e VIH; diferenças geográficas e baixo acesso entre adolescentes podem limitar a disponibilidade prática. Dados do Inquérito Demográfico e de Saúde Nacional indicam que cerca de dois terços das mulheres e 54% dos homens entre 15 e 49 anos estavam atualmente numa união conjugal. Dezoito por cento das mulheres atualmente casadas disseram que o marido tinha outra ou outras esposas. Entre mulheres alguma vez casadas, 63% reportaram violência física, sexual ou emocional por parte de um cônjuge; 35% procuraram ajuda e 39% não procuraram ajuda nem contaram a ninguém. Estes números ajudam a explicar a importância de planeamento confidencial de segurança, acesso à saúde e vias fiáveis de proteção, além do reconhecimento social ou consuetudinário do relacionamento. A dissolução do casamento civil ocorre no Tribunal Nacional e normalmente envolve um Decreto Nisi seguido de um Decreto Absoluto. O Registo Civil e de Identidade cancela o registo do casamento depois de receber a ordem judicial de dissolução. A dissolução consuetudinária pode envolver tribunais de aldeia ou distritais, enquanto namoro ou coabitação não têm processo nacional equivalente de registo de separação. Por isso, bens, filhos, segurança e obrigações consuetudinárias podem exigir aconselhamento separado quando um relacionamento termina.
Relacionamento amoroso na Papua-Nova Guiné
Os relacionamentos amorosos na Papua-Nova Guiné são sobretudo informais e podem envolver namoro, coabitação, práticas religiosas, casamento consuetudinário ou casamento civil. As regras consuetudinárias variam substancialmente entre tribos e grupos, enquanto o casamento civil cria um estado registado a nível nacional. Consentimento, segurança, idade, reconhecimento jurídico e acesso a serviços de saúde podem afetar o relacionamento e as suas consequências.
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