A República Árabe Síria é o Estado formal da Síria. A Declaração Constitucional é o atual quadro constitucional transitório e contém 53 artigos. Define a Síria como uma unidade territorial e política indivisível, proíbe a transferência de território e estabelece o árabe como língua oficial. O Presidente tem de ser muçulmano, a jurisprudência islâmica é uma fonte principal de legislação e a declaração protege a liberdade religiosa, os direitos culturais e linguísticos, a igualdade e os direitos previstos em tratados de direitos humanos ratificados. As leis existentes mantêm-se em vigor ao abrigo do artigo 51, salvo alteração ou revogação. A declaração protege as liberdades de opinião, expressão, informação e imprensa, a privacidade, a circulação e o direito a uma audiência justa, sujeitas a limitações ligadas à segurança nacional, integridade territorial, segurança e ordem públicas, prevenção do crime, saúde pública e moral. A Presidência e o Conselho de Ministros constituem o poder executivo. O Presidente Ahmad al-Sharaa nomeia e exonera vice-presidentes e ministros, é comandante-chefe, representa o Estado, assina tratados, apresenta legislação e pode exercer um veto fundamentado no prazo de um mês. O gabinete formado em 30 de março de 2025 inclui, entre as principais pastas, negócios estrangeiros, defesa, interior, justiça, finanças, administração local e ambiente, informação e desenvolvimento administrativo. A Assembleia do Povo tem poderes legislativos, orçamentais e relativos a tratados, e pode responsabilizar ministros. Dois terços dos seus membros são escolhidos indiretamente e um terço é nomeado pelo Presidente; o mandato é de 30 meses e pode ser renovado. Em julho de 2026, tinha 206 membros, incluindo 22 mulheres, e 70 nomeações presidenciais, das quais 15 eram mulheres. O poder judicial inclui tribunais comuns e administrativos. O Conselho Superior da Magistratura supervisiona os tribunais comuns e militares, enquanto o Conselho de Estado trata da justiça administrativa e a Administração de Causas do Estado funciona no Ministério da Justiça. O Supremo Tribunal Constitucional tem sete membros nomeados pelo Presidente e foi instituído em 5 de julho de 2026, incluindo duas mulheres. As pessoas podem apresentar petições e recorrer a processos judiciais, impugnar atos administrativos através de revisão judicial e invocar o direito de defesa, de recurso e a presunção de inocência, embora a independência institucional ainda esteja a consolidar-se. As custas judiciais e administrativas e os prazos variam por setor e não existe um calendário nacional fiável único. A Síria está formalmente organizada em 14 províncias, incluindo Damasco, Rif Dimashq, Alepo, Homs, Hama, Idlib, Lataquia, Tartus, Deir ez-Zor, Raqqa, Hasakah, Daraa, Quneitra e Sweida. A cadeia administrativa vai, em geral, do Estado central à província, ao distrito e subdistrito e, depois, às unidades municipais ou a outras unidades administrativas locais. O Ministério da Administração Local e do Ambiente, os governadores, os municípios e as unidades locais partilham responsabilidades pela administração territorial. A antiga administração separada do nordeste sírio tem estado em processo formal de integração: o acordo de 10 de março de 2025 abrangeu instituições civis e militares, passagens fronteiriças, aeroportos e petróleo e gás, enquanto os acordos de 18 e 29 de janeiro de 2026 operacionalizaram o processo. Em 25 de agosto de 2026, as Forças Democráticas Sírias foram oficialmente dissolvidas como estrutura militar independente e as estruturas civis da Administração Autónoma Democrática do Norte e Este da Síria foram integradas nas instituições estatais. Hasakah mantém representação local e um corpo policial local associado ao Ministério do Interior. Por isso, a unidade territorial formal ainda não proporciona acesso administrativo ou segurança iguais em todas as zonas. Os serviços públicos são geralmente acedidos através de ministérios, repartições provinciais, Assuntos Civis, Registo Civil e unidades municipais. O registo de nascimento e de estado civil favorece o acesso à educação e a outros serviços. Os residentes que regressam podem também precisar de registos do Registo Civil e de documentos relativos a habitação, terras e propriedade. Os centros do registo civil estão a ser digitalizados, mas atrasos administrativos, repartições encerradas, infraestruturas danificadas e documentação fundiária difícil continuam a atrasar os regressos e o acesso a serviços. As taxas e os prazos de processamento dependem do serviço e da localidade; não existe uma tabela nacional fiável de taxas nem um prazo de serviço uniforme aplicável em todo o país. Cidadãos, pessoas regressadas e deslocados internos podem enfrentar requisitos práticos diferentes consoante os documentos que possuam. As finanças públicas seguem um ciclo orçamental anual, desde a dotação até à execução e às contas finais. Em 2025, a receita pública foi de cerca de 384,2 mil milhões de novas libras sírias e a despesa de cerca de 379,2 mil milhões, com um excedente de aproximadamente 5 mil milhões; as alfândegas forneceram cerca de 39% das receitas, e os salários e vencimentos representaram cerca de 41% da despesa. O Orçamento do Cidadão de 2026 projetou receitas de 958,8 mil milhões de novas libras sírias, aproximadamente 8,716 mil milhões de dólares americanos, e despesas de 1 156,7 mil milhões, aproximadamente 10,516 mil milhões de dólares americanos. A composição das receitas era 50% impostos, taxas e alfândegas, 28% petróleo e gás e 22% outras fontes; a despesa era 60% corrente, 27% investimento e 13% apoios e segurança social. No primeiro semestre de 2026, as receitas efetivas foram cerca de 2,7 mil milhões de dólares americanos, face a despesas de cerca de 3,7 mil milhões, gerando um défice de cerca de 1 mil milhão. Desde maio de 2026, as receitas do petróleo e do gás são transferidas para o Ministério das Finanças. O Banco Central introduziu uma nova moeda, mas o sistema bancário continua disfuncional e dispõe de instrumentos de política limitados. Um subsídio de 100 milhões de dólares do Banco Mundial para a modernização do setor financeiro e um projeto de reforma da gestão das finanças públicas de 20 milhões de dólares apoiam a recuperação institucional. As obrigações tributárias, alfandegárias e de contratação pública lícita aplicam-se de acordo com as regras pertinentes. A supervisão é assegurada pela Organização Central de Controlo Financeiro, pela Agência Central de Supervisão e Inspeção, por procuradores, tribunais e pela Assembleia do Povo. Em 2025, a Organização Central de Controlo Financeiro reportou 246 casos de corrupção, 54 proibições de viajar e 62 apreensões cautelares. As auditorias só são divulgadas parcialmente, embora estejam a ser desenvolvidos métodos baseados no risco e alinhados com as normas da INTOSAI. As queixas, inspeções e auditorias podem levar à recolha de documentos, encaminhamento, ação judicial, congelamento ou recuperação de ativos. Na análise nacional disponível, não foi identificada uma entidade independente equivalente a provedor de justiça cuja existência estivesse plenamente confirmada. A justiça de transição pretende abordar a verdade, a responsabilização, as reparações e a reforma institucional através do devido processo. A Comissão Nacional para a Justiça de Transição e a Comissão Nacional para as Pessoas Desaparecidas estão a criar sistemas de informação, a mapear valas comuns e a consultar as partes sobre legislação; a consulta sobre a lei relativa às pessoas desaparecidas envolveu cerca de 500 intervenientes. Estes processos deverão prolongar-se por vários anos e requerem a cooperação de entidades públicas e a preservação de registos. A Declaração Constitucional reconhece a expressão, a informação, a publicação, a imprensa, a associação e a atividade sindical. O Ministério da Informação, o seu Departamento dos Meios de Comunicação Estrangeiros, a SANA e as autoridades de licenciamento dos meios regulam o acesso e a atividade profissional. Um Código de Conduta para os Meios de Comunicação, de caráter profissional e ético, foi lançado em 2026 após consultas a mais de 1 000 jornalistas. Jornalistas estrangeiros precisam de autorizações oficiais de entrada e de trabalho, e as autoridades de licenciamento podem suspender meios ou plataformas que não cumpram as regras. Assim, as garantias legais coexistem com controlos de autorização e segurança. Não foi identificada nos materiais analisados uma nova lei de partidos ou de associações cuja aprovação estivesse conclusivamente confirmada. O Estado reivindica o monopólio formal da força armada. A Declaração Constitucional proíbe formações militares ou paramilitares privadas e reserva as armas ao Estado. As autoridades da defesa e do interior, o exército nacional profissional, as Forças de Segurança Interna, a polícia local, as Forças de Segurança Geral e o Conselho de Segurança Nacional compõem a estrutura de segurança principal. Os acordos de integração preveem a verificação e colocação de antigos membros das FDS, o controlo estatal das prisões e das pessoas detidas do Estado Islâmico, e a transferência de passagens fronteiriças, aeroportos e instalações energéticas para a autoridade estatal. Ainda assim, a segurança efetiva continua desigual devido a ataques do Estado Islâmico, armas e narcóticos ilícitos, engenhos explosivos por explodir, violência local em Sweida, incursões e bombardeamentos israelitas que afetam Quneitra e Daraa, restrições à circulação e envolvimento regional mais amplo. O Presidente pode declarar estado de emergência por até três meses após aprovação do Conselho de Segurança Nacional; uma segunda prorrogação exige aprovação da Assembleia do Povo. Em geral, uma detenção exige decisão judicial, salvo em flagrante delito, e a declaração protege a dignidade e proíbe a tortura e o desaparecimento forçado.
Estado na Síria
A Síria tem um Estado formalmente estabelecido, mas a sua capacidade efetiva continua a variar pelo país. A Declaração Constitucional adotada em 13 de março de 2025 estabelece o quadro constitucional transitório por até cinco anos, que só termina após uma constituição permanente e eleições subsequentes. A autoridade estatal abrange instituições nacionais, 14 províncias, administração pública, finanças, supervisão, liberdades públicas e segurança, mas o controlo local e a prestação de serviços continuam a variar substancialmente.
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