As estatísticas do mercado de trabalho nas Comores exigem cautela, pois o trabalho informal e o subemprego não são totalmente captados pela taxa de desemprego. As medidas do INSEED e da OIT são mais informativas do que um único número de destaque: o EEIC 2021 concluiu que cerca de 88% das pessoas empregadas trabalhavam informalmente, incluindo cerca de 82% fora da agricultura. Uma estimativa modelizada de desemprego de 3,8% para 2025 não descreve, portanto, a escassez geral de trabalho seguro e adequadamente remunerado. Entre os jovens, cerca de metade dos jovens trabalhadores não tinha emprego segundo a informação disponível, apenas cerca de 3% tinha emprego formal e a taxa de jovens que não estudam nem trabalham, dos 15 aos 24 anos, era de 21% em 2021. O setor público formal é uma fonte importante de qualificações reconhecidas e remuneração relativamente transparente, mas está cada vez mais saturado. O setor privado formal continua pequeno. A maioria dos meios de subsistência depende da agricultura, pesca, comércio, serviços, pequenas unidades de produção, trabalho familiar informal ou autoemprego. As redes familiares e sociais muitas vezes ligam as pessoas ao trabalho de forma mais eficaz do que os serviços públicos de colocação ou as plataformas digitais. O quadro jurídico prevê um serviço de mão de obra, colocação, registo de empregadores, cartões de trabalho, inspeção laboral e resolução de litígios, mas não há provas fiáveis de um sistema nacional centralizado de correspondência entre candidatos e empregos. Em estimativas de 2024, os serviços representam cerca de 55% do PIB, a agricultura cerca de 26% e a indústria cerca de 12%. Os serviços cresceram cerca de 4,5%, a agricultura 3,5%, a pesca 3,2% e a indústria 3,8%; a construção cresceu cerca de 8%, partindo de uma base baixa. A pesca representa cerca de 31% da produção agrícola, mas continua em pequena escala e condicionada por uma infraestrutura fraca de cadeia de frio. O turismo contribuiu com cerca de 1,7% do PIB em 2024 e continua a ser uma área emergente, embora o turismo tenha sustentado cerca de 21 400 empregos diretos e indiretos entre 2015 e 2019. O agronegócio, a economia azul, o turismo, a pesca, a construção e as atividades digitais ou verdes são frequentemente apontados como áreas de emprego promissoras, mas o crescimento projetado não cria automaticamente postos formais. As oportunidades de trabalho diferem entre Ngazidja ou Grande Comore, Ndzuwani ou Anjouan e Mwali ou Mohéli, bem como entre zonas urbanas e rurais. Em 2024, a participação na força de trabalho era de cerca de 55,0% nas zonas rurais e 49,4% nas urbanas. Ndzuwani e Mwali enfrentam pobreza mais elevada e, por isso, maior vulnerabilidade, mas a informação atual não permite uma classificação fiável das ilhas por setor ou salário. É plausível que Moroni seja o principal centro de administração e serviços formais, mas os dados disponíveis não justificam tratá-la como uma estatística completa do mercado de trabalho nacional. As qualificações nem sempre correspondem ao trabalho disponível. O Índice de Capital Humano é de cerca de 0,40, a matrícula no ensino secundário foi estimada em 55% em 2024 e os empregadores enfrentam carências de competências técnicas, empresariais e empreendedoras. Há formação profissional pública e privada em centros nacionais ou aprovados. Ao abrigo da Lei 83-010, o acesso começa em geral aos 17 anos e pode envolver seleção e orientação; a certificação é atribuída após um exame final. O INP e o INFP estão ligados ao ministério responsável pelo trabalho, os empregadores contribuem para a formação profissional e a CPS assegura proteção contra acidentes. As taxas comparáveis dos cursos, os dados de capacidade e os calendários de admissão não são publicados de forma consistente. A aprendizagem oferece uma modalidade prática de formação com um empregador aprovado. Recorre a um contrato escrito e exige um visto do service de la main-d’œuvre ou da Inspection du travail. O contrato deve ser apresentado no prazo de 15 dias após o início; a autoridade tem até 30 dias para decidir e, segundo a regra indicada, o silêncio vale como aprovação. A formação pode durar de seis meses a três anos, combinando normalmente trabalho prático com eventual componente teórica, e prevê 40 horas semanais e pelo menos um dia de descanso. A remuneração legal dos aprendizes corresponde a 25%, 35%, 50%, 75% e 100% do SMIG em função do semestre. É difícil fazer cumprir o próprio SMIG, pois não foi comprovado um decreto nacional válido sobre o salário mínimo. O Code du travail abrange contratos, formação, salários, horário, trabalho noturno, férias, segurança, proteção social, trabalhadores estrangeiros, sindicatos, inspeção laboral, colocação e tribunais do trabalho. Estas proteções aplicam-se mais claramente ao emprego formal registado e não podem ser presumidas automaticamente para o trabalho não registado. O artigo 106 prevê o SMIG, mas as observações recentes da OIT indicam que este ainda não tinha sido introduzido por decreto. Os salários públicos formais seguem um sistema de remuneração e indexação cujas regras de execução ainda estavam em desenvolvimento; os rendimentos informais são voláteis e muitas vezes inferiores ao nível previsto para o salário mínimo. Nenhuma tabela salarial nacional atual e representativa permite comparar fiavelmente os rendimentos por profissão ou ilha. Segundo os dados de 2024, cerca de 51% das mulheres com 25 ou mais anos participam no mercado de trabalho, abaixo da média comparável da África Subsariana. As mulheres estão sobrerrepresentadas em trabalho informal, agrícola e precário, e as mulheres mais pobres têm maior probabilidade de permanecer inativas. O acesso a cuidados infantis, financiamento, transporte, redes e locais de trabalho seguros pode limitar a participação. As mulheres e os jovens beneficiam, por isso, mais de percursos que juntem competências utilizáveis, certificação reconhecida, condições de trabalho seguras e acesso realista a financiamento do que apenas de certificados de formação. A migração influencia fortemente o mercado de trabalho. Cerca de um terço dos comorianos vive no estrangeiro, principalmente em França. Entre 2013 e 2023, as remessas representaram em média cerca de 17% do PIB; em 2024, as entradas oficialmente registadas correspondiam a cerca de 19,5% do PIB e as informais a cerca de 5,4%. As transferências apoiam frequentemente as despesas familiares, a educação e os pequenos negócios e podem aumentar por ocasião de grandes casamentos. Reduzem a pressão sobre o emprego interno, mas não substituem a criação estrutural de postos de trabalho. As Comores ratificaram convenções da OIT, incluindo a C97, a C143, a C102 e a Convenção sobre o Trabalho Marítimo de 2006. O PIB cresceu cerca de 3,4% em 2024, com uma estimativa de 3,8% para 2025. Previa-se um crescimento industrial de cerca de 5,3% em 2025, principalmente graças a infraestruturas, hotéis, portos e estradas, em parte ligados aos preparativos dos Jogos das Ilhas do Oceano Índico de 2027. O investimento privado, o acesso ao financiamento, a conectividade, as fragilidades de governação e os riscos climáticos ou ciclónicos continuam a limitar a transformação do crescimento em emprego seguro. O PIDC registou 1 772 empregos diretos a tempo inteiro, dos quais 44% eram ocupados por mulheres e 60% por jovens, e chegou a 62 222 agricultores; são resultados do projeto, não prova de uma tendência nacional de emprego.
Mercado de trabalho nas Comores
O mercado de trabalho nas Comores combina uma pequena economia formal com trabalho informal generalizado, trabalho independente e atividade baseada na família. Cerca de 88% das pessoas empregadas trabalham informalmente, enquanto o setor público continua a ser a principal referência para qualificações e salários estáveis. A agricultura, os serviços, a pesca, a construção, o turismo e o pequeno comércio representam grande parte do trabalho efetivo, mas o rendimento, a proteção e o acesso variam muito conforme a atividade, a ilha e o género.
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