As tradições seichelenses exprimem uma identidade crioula multicultural, não um único costume nacional uniforme. O crioulo seichelense, também chamado Kreol Seselwa, é muito usado na vida quotidiana e cultural, juntamente com o inglês e o francês. Os conhecimentos são transmitidos através das práticas familiares, da participação comunitária, das escolas, de oficinas, atuações e investigação registada. As formas orais incluem Zistwar, fab, bersez, zedmo, provérbios e lendas. A Universidade das Seicheles e as instituições culturais preservam histórias recolhidas, originais em crioulo e resumos em inglês. Nenhum gabinete único controla estas práticas. O Ministério do Turismo e da Cultura e o respetivo Departamento da Cultura, o Conselho Nacional das Artes e do Artesanato (NACC), o Instituto Nacional da Cultura, do Património e das Artes das Seicheles (SNICHA), o Instituto do Crioulo, o Departamento do Turismo, as escolas, associações e grupos comunitários apoiam diferentes aspetos da vida cultural. O Conservatório de Artes Performativas, que funciona sob a tutela do NACC, trabalha nas áreas da dança, música e teatro. Os programas do NACC incluem oficinas, atividades pós-escolares e nas férias escolares, formação de formadores, o Dia da Música, o Coro Nacional e atividades internacionais para jovens e coros. O Fundo Fiduciário para a Cultura e as Artes funciona sob a tutela do SNICHA e tem um orçamento anunciado de SCR 1.000.000, embora as condições de financiamento de projetos individuais não estejam confirmadas aqui. O ciclo anual inclui feriados públicos associados ao Ano Novo, à Páscoa, ao Dia do Trabalhador, ao Fete Dieu ou Corpo de Deus, ao Dia da Constituição, ao Dia da Independência ou Dia Nacional, ao Dia da Assunção, ao Dia de Todos os Santos, à Imaculada Conceição e ao Natal. Em 2026, o Dia da Abolição da Escravatura foi anunciado separadamente como feriado nacional, embora alguns calendários públicos ainda não tivessem sido atualizados. O Festival Kreol decorre na última semana de outubro e combina música, dança, língua, vestuário, desfiles e participação comunitária. Começou em 1985 e chegou à 40.ª edição em 2025. As celebrações religiosas podem influenciar o calendário, mas as tradições das Seicheles também incluem práticas laicas, familiares e comunitárias. Moutya é uma tradição de chamada e resposta com comentário social e influências africanas, inscrita na Lista Representativa da UNESCO em 2021. Usa um tambor moutya com pele de cabra, muitas vezes aquecida ao fogo; inclui movimentos das ancas e dos pés e uma aproximação entre dançarinos sem contacto físico. Moutya pode surgir espontaneamente nas comunidades ou integrar eventos culturais organizados. Também estão documentadas formas locais como Sega, Kanmtole, Mardilo e Romance. Kanmtole é um baile social associado a valsas, kotis e contredans. As pessoas aprendem estas práticas por observação e imitação, enquanto a investigação, a documentação, as escolas e os eventos culturais oferecem vias mais formais. As tradições familiares e associadas às fases da vida não têm um procedimento estatal único. Tifin Maryaz Tradisyonnel é uma recriação festiva e formato pedagógico documentados, com cortejo nupcial, vestuário tradicional, música, dança, famílias e comunidade em geral. Não substitui o registo civil. O Registo Civil regista nascimentos, adoções, casamentos e óbitos e emite certidões online ou presencialmente; uma cópia custa SCR 50. Em geral, o casamento civil começa aos 18 anos; os proclamas de casamento têm de ser publicados durante pelo menos 11 dias e uma licença obtida antecipadamente custa SCR 500. Os casais seichelenses podem precisar de certidões de nascimento, cartões de identidade nacionais das Seicheles e, quando relevante, certidões de divórcio ou óbito. Uma cerimónia em casa tem de ser comunicada com pelo menos uma semana de antecedência. O vestuário é usado conforme o contexto, não como traje nacional diário geral. O Festival Kreol inclui roupa tradicional; o Lafoli Lanmod apresenta moda como pareos de batik; e o Tifin Maryaz usa vestuário tradicional de casamento. Um evento de Praslin em 2026 documentou três gerações vestidas com trajes tradicionais. Estes exemplos mostram a transmissão entre famílias e comunidades sem estabelecer uma obrigação geral de vestuário. As tradições artesanais incluem tecelagem com folhas de coqueiro, armações de ráfia, sacos e bolsas de vakwa, castiçais de casca de coco, objetos de conchas e em forma de coco-de-mer e peças de tartaruga em madeira. A secção de artesanato do NACC trabalha com associações e artesãos através de oficinas e iniciativas de desenvolvimento local, incluindo a transmissão às gerações mais novas. O Plano Estratégico do Artesanato do NACC abrange 2026 a 2030 e está disponível um formulário de registo de artesãos. O registo no NACC é o processo para reconhecimento oficial como artista, mas as informações disponíveis não publicam a taxa nem o prazo. Quem vende artesanato local num estabelecimento comercial precisa de uma licença da Autoridade de Licenciamento das Seicheles (SLA) e de prova de propriedade ou arrendamento do espaço. O comércio de nozes de coco-de-mer requer uma licença separada. É possível participar através de grupos comunitários, escolas, atividades juvenis, oficinas do NACC, do Conservatório, festivais e associações culturais. As plataformas regionais mais documentadas ficam em Mahé e Victoria, onde se concentram o Teatro Nacional, o Carrefour des Arts e a administração cultural. Em Praslin realizam-se o Rendezvous Praslinois e eventos como o programa de 2026 do Fond Ferdinand, com transmissão familiar, vestuário tradicional, marcenaria local e artesanato. Desde 2022, La Digue realiza trimestralmente o Rendezvous Diguois com Praslin, combinando atividades comunitárias, artesanais e musicais, incluindo Masezarin com Mardilo. A informação disponível não comprova a existência de um sistema de tradições diretamente comparável nas ilhas exteriores. É necessária uma licença de entretenimento ao ar livre para feiras, espetáculos musicais, feiras comerciais e festivais. A taxa da SLA é SCR 500 por um dia, SCR 1.500 por mais de um e até três dias e SCR 5.000 por mais de três dias, até ao máximo de 12 meses; a caução pode atingir SCR 5.000. Os pedidos podem exigir dados do organizador e dos participantes, a finalidade de qualquer atividade lucrativa, aprovação policial e autorização escrita do proprietário ou arrendatário do local. Os artistas têm de cumprir os requisitos de vestuário decente; os organizadores não podem oferecer entretenimento obsceno e devem remover os resíduos no prazo de 24 horas. Aplicam-se também regras de direitos de autor, segurança, ordem pública e utilização do espaço. A política cultural está a evoluir através de uma maior proteção do património, percursos para jovens e escolas, visibilidade da UNESCO, atividade turística e renovação comunitária. O turismo pode proporcionar público e rendimento, mas as apresentações encenadas podem diferir das práticas vivas das comunidades e exigem recursos e financiamento. Em 2026, estava prevista uma proposta aprovada pelo Conselho de Ministros para revogar a Lei do SNICHA e criar um Instituto do Crioulo das Seicheles, uma Agência das Artes e do Artesanato das Seicheles, uma Agência Criativa das Seicheles, a SMALA e uma Agência do Património das Seicheles; à data da investigação, não estavam confirmadas a aprovação nem a implementação. A atividade atual do NACC mostra que o sistema institucional vigente continua ativo enquanto estas reformas são consideradas.
Tradições nas Seicheles
As tradições nas Seicheles são práticas vivas transmitidas através do crioulo seichelense (Kreol Seselwa), da vida familiar e comunitária, da música e da dança, dos festivais, do vestuário e do artesanato. Formas orais como Zistwar, fab, bersez, zedmo, provérbios e lendas preservam conhecimentos juntamente com o inglês e o francês. Moutya, Sega, Kanmtole, Festival Kreol e práticas artesanais, como a tecelagem de vakwa, ligam a identidade cultural ao ensino, à atuação e ao turismo.
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