A Constituição de 22 de julho de 2023 estabelece a República do Mali e reconhece direitos como educação, trabalho, habitação, saúde, proteção social, alimentação, água, propriedade, religião, expressão, imprensa, acesso à informação, circulação, associação, reunião, greve e iniciativa empresarial, nos termos da lei. Também estabelece deveres como respeitar a Constituição, defender o país, responder a uma mobilização legal a partir dos 18 anos, proteger o ambiente, prestar auxílio em situações de catástrofe, pagar impostos, servir o bem comum, proteger o património público e manter a integridade no serviço público. As línguas nacionais são oficiais, enquanto o francês é a língua de trabalho. A Charte de la Transition revista, de 8 de julho de 2025, complementa a Constituição. Assimi GOITA exerce as funções de Presidente da Transição e Chefe de Estado. O seu mandato dura cinco anos e pode ser renovado tantas vezes quantas forem necessárias até à pacificação; pode ser encurtado se estiverem reunidas as condições para uma eleição presidencial transparente e pacífica. A transição termina com uma eleição presidencial, o juramento de posse e a transferência do poder. Em caso de conflito entre a Carta e a Constituição, prevalece a Constituição. As instituições da transição mantêm-se até serem estabelecidas novas instituições constitucionais. O quadro institucional formal inclui o Presidente, o Governo, o Parlamento, o Tribunal Constitucional, o Supremo Tribunal, o Tribunal de Contas e o Conselho Económico, Social, Ambiental e Cultural. O quadro operacional da transição é atualmente composto pelo Presidente, o Primeiro-Ministro, o Governo e o Conseil national de Transition (CNT), com 147 membros, que exerce a função legislativa durante a transição. A estrutura formal bicameral não deve ser tratada como plenamente operacional enquanto alguns órgãos constitucionais ainda não tiverem sido estabelecidos. A administração do Estado serve o interesse geral com base na legalidade, igualdade, imparcialidade, neutralidade, continuidade, ética e probidade. O Ministério da Administração Territorial e da Descentralização, a Direction Générale de l’Administration du Territoire (DGAT), os governadores, prefeitos, subprefeitos, conselhos locais e serviços centrais ou desconcentrados repartem responsabilidades. Uma pessoa pode começar pela comuna, pelo Distrito de Bamako ou por um arrondissement e, em seguida, contactar um serviço do cercle ou regional e, se necessário, um ministério ou a administração central. O cercle continua a ser uma referência administrativa após a reforma, mas deixou de ser uma coletividade territorial descentralizada distinta. O Mali tem 19 regiões administrativas e o Distrito de Bamako. A descentralização atribui personalidade jurídica e autonomia financeira às comunas, urbanas ou rurais, através de conselhos eleitos. A desconcentração representa o Estado nas regiões e noutras circunscrições administrativas. As autoridades tradicionais são legalmente reconhecidas para a prevenção de conflitos, a coesão social e a coexistência pacífica, mas o seu papel não substitui os poderes legais das autoridades públicas. As infraestruturas, a insegurança e a densidade de serviços tornam desigual o acesso na prática entre diferentes zonas. As finanças públicas regem-se pela Lei Orgânica das Leis de Finanças de 15 de agosto de 2025. A lei de finanças de cada ano abrange o orçamento geral, os orçamentos anexos e as contas especiais do Tesouro. A Lei de Finanças de 2026 registou receitas previstas de 3 057,792 mil milhões de FCFA e despesas de 3 578,217 mil milhões de FCFA. Um projeto oficial de lei de finanças retificativa, datado de 3 de julho de 2026, propôs receitas de 3 372,895 mil milhões de FCFA e despesas de 3 993,319 mil milhões de FCFA, incluindo receitas adicionais parcialmente ligadas ao imposto ad valorem e a fundos mineiros, bem como despesas adicionais sobretudo com a segurança territorial. Não existe uma taxa única para aceder ao Estado no Mali: cada serviço aplica as suas próprias tarifas, impostos ou taxas, e os prazos de processamento dependem do serviço e da localidade. A fiscalização está dividida entre vários órgãos. O Tribunal Constitucional aprecia normas, protege direitos constitucionais e resolve conflitos entre instituições. O Supremo Tribunal é o órgão judicial mais alto. O Tribunal de Contas é o supremo tribunal financeiro constitucional e audita as contas públicas, a gestão ilegal de fundos públicos, os erros de gestão e as declarações de património. Na prática, a Section des Comptes do Supremo Tribunal continua a elaborar relatórios financeiros e de execução anual. O Bureau du Vérificateur Général (BVG), independente, realiza auditorias financeiras, de conformidade e de desempenho, podendo encaminhar questões aos tribunais. O Office central de lutte contre l’enrichissement illicite (OCLEI) previne e investiga o enriquecimento ilícito e trata das declarações de património. O Médiateur de la République proporciona uma via independente para apresentar queixas sobre litígios com o Estado, as autoridades territoriais, as instituições públicas e os organismos de serviço público. A Constituição protege a liberdade de imprensa, o acesso à informação, a liberdade de expressão, a associação e a reunião, dentro dos limites legais. A Haute Autorité de la Communication (HAC) regula os meios de comunicação, licencia serviços e supervisiona os setores da imprensa, da atividade online e do audiovisual, incluindo sanções não criminais. O Office de Radiodiffusion-Télévision du Mali (ORTM) é o serviço público de radiodifusão. A Autorité de Protection des Données à caractère Personnel (APDP) trata da proteção de dados pessoais, e a Autorité Malienne de Régulation des Télécommunications, des Technologies de l’Information et de la Communication et des Postes (AMRTP) regula as telecomunicações e serviços relacionados. Em 13 de maio de 2025, todos os partidos e organizações políticas foram dissolvidos em todo o país, a atividade política dessas organizações foi proibida e foram revogados a carta dos partidos e o estatuto da oposição; isto não funde a regulação dos meios de comunicação nem o acesso administrativo com a administração eleitoral. O Presidente é o comandante supremo das Forces Armées et de Sécurité. Estas forças protegem a integridade territorial, as pessoas e os bens, a ordem pública e a aplicação da lei, podendo também apoiar o desenvolvimento e a proteção ambiental. São constitucionalmente republicanas e apartidárias e permanecem sob autoridade política civil. Os principais componentes são as Forças Armadas do Mali, conhecidas como FAMa, a Polícia Nacional, a Gendarmaria Nacional, a Guarda Nacional e a Proteção Civil. A Gendarmaria exerce funções de polícia administrativa e judiciária, segurança pública, proteção institucional e defesa territorial. A Proteção Civil prepara-se para riscos, realiza salvamentos e responde a catástrofes. Uma reforma de 2026 diz respeito à contratação para a defesa e segurança nacionais, e o Protocolo de Defesa e Segurança da Alliance des États du Sahel foi ratificado em 6 de maio de 2026. O mandato da MINUSMA terminou em 2023. Os cidadãos e residentes podem recorrer aos organismos públicos de acordo com a legislação aplicável ao serviço e as regras de elegibilidade. As autoridades públicas devem atuar de forma legal, igualitária, imparcial, neutra e contínua, mas o acesso prático e os prazos continuam a depender de cada serviço. Uma queixa escrita ao Médiateur de la République pode tratar de falhas administrativas, enquanto suspeitas de corrupção ou património sem explicação podem ser comunicadas aos órgãos de fiscalização competentes.
Estado no Mali
O Mali é uma república soberana, unitária, indivisível, democrática, laica e social, cuja capital é Bamako. A Constituição define as instituições nacionais, a administração territorial, as finanças públicas, os direitos e os deveres, enquanto a transição atual determina quais órgãos constitucionais funcionam na prática. O acesso aos serviços públicos, a fiscalização e a segurança variam consoante a instituição, a localidade e a situação de segurança.
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