A Namíbia é extremamente árida; por isso, a água, as pastagens, o movimento da vida selvagem e o estado do solo moldam muitas questões ambientais. O país tem 56 tipos de vegetação e paisagens como a Planície Costeira, o Mar de Areia do Namibe, o Planalto Central, a Grande Escarpa, Naukluft, Nama Karoo, Succulent Karoo, Kalahari Sandveld, matagal árido, oshanas sazonais, rios, pans, nascentes e zonas húmidas. A Escarpa do Namibe e Tsau //Khaeb, anteriormente conhecida como Sperrgebiet, são pontos críticos mundiais de biodiversidade. Estas paisagens sustentam corredores de vida selvagem, armazenamento de carbono, proteção do solo e meios de subsistência locais. A Namíbia tem 20 áreas protegidas do Estado que cobrem cerca de 17% do país. Entre as principais encontram-se o Parque Nacional de Etosha, o Parque Namib-Naukluft, o Parque da Costa dos Esqueletos, o Parque Nacional de Dorob, o Parque Nacional de Tsau //Khaeb, Bwabwata, Mudumu, Nkasa Rupara, Khaudum, Waterberg Plateau e a área de //Ai-//Ais. Uma área marinha protegida abrange 13 ilhas e ilhéus ao largo da costa. As áreas de conservação transfronteiriças ligam a Namíbia aos países vizinhos, incluindo Kavango-Zambezi, //Ai-//Ais-Richtersveld e Iona-Costa dos Esqueletos. Em 2021, cerca de 375.569 quilómetros quadrados, ou 45,6% das terras do país, estavam abrangidos por alguma forma de conservação ou proteção, contando conjuntamente áreas protegidas, conservâncias, concessões, florestas comunitárias e reservas privadas. A Namíbia regista cerca de 4.350 espécies de plantas vasculares, incluindo 687 espécies endémicas, 644 espécies de aves, 217 espécies de mamíferos e 256 espécies de répteis. A vida selvagem característica ou ameaçada inclui rinocerontes-negros e elefantes adaptados ao deserto, chitas, leões, zebras-de-montanha-de-Hartmann, impalas-de-face-negra, pangolins, mabecos e lobos-marinhos-do-cabo. A welwitschia é uma planta característica do deserto. A fragmentação dos habitats, a seca, os incêndios, os crimes contra a vida selvagem, as plantas invasoras e o conflito entre pessoas e vida selvagem pressionam estes sistemas. Esse conflito inclui danos, perdas de gado ou riscos de segurança associados a elefantes, predadores, hipopótamos e crocodilos perto de povoações, explorações agrícolas e pontos de água. A gestão comunitária dos recursos naturais, geralmente abreviada como CBNRM, concede direitos condicionais a estruturas comunais registadas para gerir e beneficiar da vida selvagem e de outros recursos naturais. A Namíbia utiliza esta abordagem desde 1992. Cerca de 86 conservâncias comunais registadas abrangem aproximadamente 19,6% do país e 32 florestas comunitárias apoiam uma gestão de recursos relacionada. Uma conservância precisa de uma estrutura registada ou publicada no Diário Oficial, uma constituição democrática, uma comissão eleita, um plano de gestão da vida selvagem, assembleia geral anual, prestação de contas financeiras e conformidade. As atividades possíveis incluem quotas de vida selvagem, abate para consumo de carne, caça de troféus, parcerias turísticas, alojamentos, produtos naturais indígenas e silvicultura comunitária. A agricultura continua a ser o principal meio de subsistência em muitas zonas, e os direitos comunais sobre recursos não criam acesso público irrestrito nem propriedade privada simples. O Ministério do Ambiente, Silvicultura e Turismo, incluindo a Direção da Vida Selvagem e Parques Nacionais e o Departamento dos Assuntos Ambientais e Florestais, gere partes importantes do sistema formal. As Autoridades Tradicionais, comissões das conservâncias, Conselhos Regionais e outros organismos locais também influenciam decisões sobre acesso e utilização das terras. A remoção, o comércio, a investigação e a recolha de espécimes de vida selvagem são controlados pelas leis namibianas de conservação e comércio e podem exigir licenças do MEFT, da CITES ou de outras entidades. Em geral, é necessária uma licença de investigação para estudos de fauna ou flora em toda a Namíbia, inclusive em áreas protegidas. Os pedidos podem envolver a Comissão de Investigação, gestores de áreas e autoridades locais; normalmente, a licença tem validade de um ano e a prorrogação exige um relatório de progresso. O acesso às áreas protegidas exige normalmente uma licença de parque obtida numa entrada ou num gabinete do MEFT. Algumas zonas exigem autorização prévia. As regras dos parques proíbem geralmente conduzir fora de estrada, sair dos percursos assinalados, perturbar ou retirar vida selvagem, levar animais de estimação e utilizar motociclos em zonas restritas. O Parque Nacional de Khaudum exige deslocações em caravana de pelo menos dois veículos. As taxas dos parques seguem as tarifas do MEFT, incluindo uma tarifa publicada com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2021; as taxas e condições de acesso atuais devem ser verificadas antes da viagem. As atividades ligadas à natureza incluem observação da vida selvagem e de aves, contemplação de paisagens, fotografia, campismo, caminhadas, passeios na natureza e pesca à linha, cada uma sujeita a licenças, taxas, zonas e requisitos de segurança locais. Um certificado de autorização ambiental (ECC) controla atividades enumeradas que podem afetar o ambiente, incluindo mineração, projetos energéticos, infraestruturas, extração de areia e desenvolvimento turístico. O processo pode exigir avaliação ambiental ou análise de base, comentários públicos e um plano de gestão ambiental. O Comissário do Ambiente administra o sistema de autorizações; as taxas publicadas no portal incluíram N$300 por pedido ou alteração e N$1.000 por transferência ou recurso, mas as taxas atuais devem ser confirmadas antes do pedido. O acesso a recursos genéticos ou conhecimentos tradicionais associados pode exigir uma licença de acesso, consentimento prévio informado e acordos de partilha de benefícios. A seca e a falta de chuva aumentam a escassez de água e pastagens, a deslocação da vida selvagem e os conflitos. Podem ocorrer cheias repentinas em rios efémeros, oshanas e planícies aluviais. Incêndios de vegetação, desertificação, degradação dos solos, erosão costeira e riscos costeiros associados à subida do nível do mar também afetam pessoas e ecossistemas. O Gabinete do Primeiro-Ministro e as suas estruturas de gestão do risco de catástrofes, o Serviço Meteorológico da Namíbia, as autoridades regionais e locais e as estruturas de gestão de incêndios do MEFT partilham diferentes responsabilidades de preparação e resposta. A educação ambiental decorre nas escolas, universidades, instituições profissionais, entre educadores e sociedade civil, através de interpretação em parques, formação de guardas e guias, programas de conservâncias e de conflito entre pessoas e vida selvagem, conhecimentos comunitários e Rede de Educação Ambiental da Namíbia. O Instituto de Investigação Ecológica de Etosha apoia a investigação e a monitorização. Os conflitos surgem frequentemente entre vida selvagem e agricultura; conservação e caça de troféus ou utilização de carne; mineração ou energias renováveis e proteção de habitats; estradas ou infraestruturas hídricas e corredores de vida selvagem; e turismo fora de estrada e dunas frágeis, campos de líquenes ou locais de welwitschia. A autorização ambiental e os comentários públicos, planos de gestão de áreas protegidas, condições de concessão, licenças, governação de conservâncias, currais à prova de predadores, planeamento de pontos de água, ordenamento do território e medidas contra a caça furtiva abordam diferentes partes destes conflitos. Os cinco sítios Ramsar da Namíbia indicados pelo MEFT em 2024 são a Zona Húmida de Walvis Bay, Sandwich Harbour, a Foz do Rio Orange, Etosha Pan e Bwabwata; uma estratégia nacional de biodiversidade anterior indicava quatro, pelo que a data é importante ao comparar os valores.
Natureza na Namíbia
A natureza na Namíbia estende-se desde o Deserto do Namibe, a costa atlântica e a Costa dos Esqueletos até aos planaltos centrais, ao Calaári, às savanas áridas, ao desfiladeiro do rio Fish, aos Cuvelai-Oshanas e às planícies aluviais do norte. Áreas protegidas, conservâncias comunais, florestas comunitárias e reservas privadas conservam a vida selvagem, plantas, fontes de água, pastagens e corredores ecológicos. A Namíbia combina proteção formal com utilização comunitária, turismo, investigação e controlos ambientais.
VivAVia pode cometer erros. Verifique as informações importantes.

