A Constituição do Quirguistão estabelece o quirguiz como língua estatal e o russo como língua oficial. A Lei Constitucional de 2023 sobre a Língua Estatal, com alterações feitas em 2025, reforça o uso do quirguiz na administração pública e nas instituições. Em princípio, outras línguas podem ser usadas livremente, e as comunidades étnicas têm proteção constitucional para preservar, aprender e desenvolver as suas línguas maternas. Identidade étnica e língua não são a mesma coisa: o censo de 2022 contou 6.936.156 habitantes e mais de 100 grupos étnicos, incluindo quirguizes (77,6%), uzbeques (14,2%) e russos (4,1%). O censo de 2022 registou separadamente a língua materna e o conhecimento de uma segunda língua. Entre 3.297.929 pessoas com 15 anos ou mais que declararam uma segunda língua, 2.607.276, ou 79,1%, indicaram o russo; 402.888, ou 12,2%, o quirguiz; 158.507, ou 4,8%, o uzbeque; 31.440, ou 1,0%, o inglês; e 9.968, ou 0,3%, o alemão. Estes números descrevem competências linguísticas declaradas e não constituem uma contagem completa de todas as línguas faladas no país. A administração governamental e municipal, os documentos oficiais, os registos e a comunicação com os órgãos públicos usam sobretudo o quirguiz. Os cidadãos podem apresentar pedidos em quirguiz ou russo. Os atos normativos são geralmente emitidos nas duas línguas, sendo a versão quirguiz o texto original. Os nomes de lugares e objetos são apresentados em quirguiz, enquanto os nomes das instituições usam quirguiz e russo. A informação pública aparece normalmente primeiro em quirguiz e depois em russo, com outras línguas quando adequado. Os rótulos dos produtos usam quirguiz e russo, e o importador suporta o custo da tradução. Não há provas de uma regra geral que imponha uma língua privada específica no quotidiano. Os requisitos linguísticos para os serviços públicos estão a ser introduzidos gradualmente. Nos termos do Decreto do Conselho de Ministros n.º 211, os funcionários públicos civis estatais e municipais estão sujeitos aos níveis mínimos do Кыргызтест: B1 a partir de 2025 e B2 a partir de 2027. Para os outros trabalhadores de instituições estatais e municipais, incluindo professores e profissionais de saúde, estão previstos B1 a partir de 2026 e B2 a partir de 2028. Para os residentes permanentes pertencentes a minorias étnicas estão previstos A2 a partir de 2026 e B1 a partir de 2028. Os empregadores devem viabilizar formação linguística. A investigação disponível não identifica uma tabela nacional obrigatória de taxas para estes exames ou formação, e as regras de 2025 indicavam que a falta de certificado ainda não era motivo para despedimento ou despromoção. A educação continua a ser um espaço importante de coexistência linguística. O artigo 11.º da Lei da Educação prevê ensino na língua estatal, na língua oficial e numa língua estrangeira, e permite educação multilingue. Em 2024, 2.377 escolas declararam ensino em quirguiz, russo, uzbeque, inglês ou tajique. Destas, 1.668 eram monolingues: 1.368 quirguizes, 274 russas, 18 uzbeques, 3 tajiques e 5 inglesas. Outras 709 eram escolas de ensino misto, incluindo 548 quirguiz-russas. Bishkek tinha 85 escolas mistas num total de 121; em Osh havia 28 escolas quirguiz-russo-uzbeques. As listas de manuais aprovadas em 2025 abrangiam quirguiz, russo, uzbeque e tajique. Osh e as regiões do sul têm uma necessidade particularmente forte de ligações linguísticas entre quirguiz, russo e uzbeque. A cidade de Osh tinha 353.080 habitantes no censo de 2022, incluindo 208.300 quirguizes e 134.876 uzbeques. Este padrão regional não cria um estatuto regional distinto de língua oficial. As escolas locais, instituições culturais e entidades educativas determinam em que medida o uzbeque ou outras línguas estão disponíveis na prática. Há três grupos dialetais documentados do quirguiz: setentrional, sudeste e sudoeste. O dialeto setentrional é a base da língua literária moderna. A pronúncia e o vocabulário regionais variam, mas os dialetos não têm estatuto jurídico separado; a administração e as escolas seguem a norma literária. Uzbeque, dungano, tajique, uigur e cazaque continuam a ser línguas minoritárias relevantes, sobretudo no uso regional, educativo e cultural. Não há provas de um modelo nacional que atribua a todas as línguas minoritárias o mesmo estatuto administrativo ou garanta o seu uso em todas as instituições públicas. Nos processos penais, o Estado fornece intérprete quando um participante não compreende a língua estatal ou oficial. Nos processos cíveis, a interpretação é geralmente organizada e paga pelos participantes. Os documentos de registo e notariais são preparados em quirguiz e também podem usar russo, sendo a versão quirguiz tratada como original quando aplicável. Os eventos políticos oficiais usam quirguiz e podem usar russo com interpretação simultânea. O quirguiz é também a principal língua da cultura estatal, das artes e dos meios de comunicação de massas; as regras atuais exigem que pelo menos 60% das emissões áudio, audiovisuais, musicais e outras sejam em quirguiz. Os livros e serviços culturais funcionam em duas línguas, embora a cobertura varie por instituição e região. A implementação envolve o Presidente, o Jogorku Kenesh, o Conselho de Ministros, a Comissão Nacional sobre a Língua Estatal e a Política Linguística, o Ministério da Educação e da Ciência, o Comité Nacional de Estatística, as administrações locais, os municípios, os empregadores públicos e os organismos de radiodifusão ou instituições individuais. Na prática, o quirguiz é a língua central do direito e da administração nacionais, o russo continua essencial para o acesso em todo o país e o uzbeque tem maior relevância regional em partes de Osh, Jalal-Abad e Batken.
Idiomas no Quirguistão
O quirguiz é a língua estatal do Quirguistão, enquanto o russo tem estatuto de língua oficial. A Constituição protege as condições para que as comunidades étnicas preservem, aprendam e desenvolvam as suas línguas maternas, mas isso não confere a todas as línguas minoritárias o mesmo estatuto administrativo. O quirguiz predomina na administração nacional e na integração; o russo continua amplamente funcional, e o uzbeque é especialmente relevante nas regiões do sul. As escolas, os órgãos públicos, os tribunais, os meios de comunicação e as instituições culturais aplicam estas regras linguísticas de formas diferentes.
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