O Código Penal é a única fonte de responsabilidade penal no Turquemenistão. Uma pessoa só pode ser responsabilizada criminalmente por uma conduta definida como infração por lei; as autoridades não podem criar responsabilidade por analogia jurídica. A nova edição em vigor foi adotada em 17 de abril de 2022 e entrou em vigor em 1 de janeiro de 2023. O registo legislativo oficial assinala uma alteração datada de 30 de setembro de 2023. O registo do Código de Processo Penal inclui alterações datadas de 12 de abril de 2025 e 22 de novembro de 2025. O direito penal turcomeno aplica-se em todo o país e também abrange condutas relacionadas com águas interiores, mar territorial, espaço aéreo, plataforma continental, zona económica exclusiva e embarcações turcomenas. Os cidadãos turcomenos não são extraditados segundo a regra nacional indicada. Estrangeiros e apátridas podem ser extraditados quando exista um tratado que o permita. Uma infração é um ato ou omissão culpável e socialmente perigoso que causa dano ou cria uma ameaça reconhecida por lei. As infrações são classificadas segundo a pena máxima de prisão: infrações menores, até 2 anos; médias, até 8 anos; graves, até 15 anos; e especialmente graves, até 25 anos. A preparação só é punível para infrações médias, graves e especialmente graves. O Código também regula a tentativa, a cumplicidade e a reincidência. A inimputabilidade pode excluir a responsabilidade penal e conduzir a medidas médicas obrigatórias; a intoxicação geralmente não é uma defesa. O percurso habitual começa com uma queixa ou outra base para abrir um processo penal. Pode seguir-se uma investigação inicial, chamada дознание, ou uma investigação preliminar. Entre os órgãos de acusação criminal estão os investigadores do Ministério Público, do Ministério da Administração Interna e dos órgãos de segurança nacional. O procurador supervisiona a legalidade da abertura ou recusa de um processo e pode anular uma decisão ilegal. Em geral, é exigida uma investigação preliminar, sujeita a exceções limitadas. Os investigadores não podem usar violência, ameaças ou outros métodos ilegais, e provas obtidas ilegalmente ou de fonte desconhecida são inadmissíveis. A detenção exige fundamento legal. A família ou um familiar próximo deve ser notificado imediatamente e o período total de detenção de um suspeito não pode exceder 72 horas. O interrogatório deve começar imediatamente ou, caso contrário, ocorrer no prazo de 24 horas após a detenção. Os pais ou tutores de um menor devem ser notificados imediatamente. As medidas preventivas incluem restrição de deslocação, caução pessoal ou de uma organização, fiança e prisão preventiva. A prisão preventiva exige normalmente a autorização de um procurador para infrações com pena máxima superior a 2 anos; pretende-se que a prisão preventiva de um menor seja excecional. A fiança está legalmente disponível, embora a sua utilização prática tenha sido descrita como inconsistente. Um suspeito ou arguido tem o direito de permanecer em silêncio e não pode ser forçado a testemunhar contra familiares próximos. O ónus da prova cabe à acusação, e uma confissão, por si só, não é suficiente. Deve estar disponível um advogado desde o interrogatório, a apresentação de uma acusação ou a notificação da detenção ou prisão preventiva, e nunca depois de 24 horas após a detenção. A assistência de advogado é obrigatória em casos de menores, quando uma deficiência afeta a capacidade de defesa, durante um exame psiquiátrico e quando o arguido a solicita. Entre as garantias previstas estão reuniões confidenciais com o advogado, acesso a provas e apresentação de requerimentos, intérprete, consulta dos autos e reclamações ou recursos. A assistência jurídica gratuita está disponível quando prevista na lei. Só um tribunal pode condenar alguém ou impor uma pena criminal. Conforme a competência, os processos podem ser julgados pelo Supremo Tribunal, pelos tribunais de velayat, pelos tribunais de Ashgabat e das cidades ou pelos tribunais de etrap e cidade. Os julgamentos são geralmente públicos, mas o tribunal pode encerrá-los por razões de segredos de Estado, questões íntimas, casos de menores ou crimes sexuais. Em geral, é obrigatória a participação do procurador do Estado. Pode haver absolvição quando não ocorreu crime, a conduta não contém os elementos de uma infração ou o arguido não participou. Os recursos de cassação são julgados por três juízes. Os prazos de revisão incluem até 15 dias, com possível prorrogação excecional de 10 dias, nos tribunais de velayat ou de cidade, e até um mês, com possível prorrogação excecional de um mês, no Supremo Tribunal. A lei prevê penas como multa, inibição de funções, perda de títulos ou condecorações, trabalho obrigatório ou corretivo, restrições de residência, confisco, restrição da liberdade, prisão e sanções militares. O infrator pode também ter o dever de reparar o dano. A prisão dura normalmente entre 6 meses e 15 anos, e infrações especialmente graves podem levar a até 25 anos. A pena de morte foi abolida constitucionalmente. Amnistia, indulto e liberdade condicional podem afetar a execução. Em geral, a liberdade condicional exige o cumprimento efetivo de pelo menos um terço da pena por infrações menores ou médias, metade por infrações graves e dois terços por infrações especialmente graves, com um mínimo de 6 meses cumpridos. Os prazos para cancelamento dos efeitos da condenação são geralmente de 1, 2, 3 ou 5 anos, conforme a gravidade da infração. As infrações abrangidas pelo Código incluem crimes contra a vida, a saúde, a liberdade, o património, a privacidade, a família e os menores, bem como tráfico, drogas, segurança do Estado, extremismo, corrupção, ambiente, transportes e serviço militar. O tráfico de pessoas ao abrigo do artigo 128.º é punido com 4 a 10 anos de prisão; os casos agravados implicam 8 a 15 anos. A tortura praticada por um funcionário ou por alguém em exercício de funções oficiais ao abrigo do artigo 201.º é punida com 3 a 8 anos, ou 5 a 10 anos nos casos agravados, com consequências mais graves quando cause morte ou dano grave. O artigo 133.º criminaliza as relações sexuais entre homens e prevê penas até 2 anos ou, em casos agravados, de 3 a 20 anos. As infrações rodoviárias incluem condutas envolvendo transporte ferroviário, aquático, aéreo e rodoviário. Danos, lesões ou mortes causados por negligência, intoxicação e abandono do local podem agravar as consequências. Causar a morte de duas ou mais pessoas sob efeito de álcool ou abandonar o local pode levar a 8 a 15 anos de prisão. Conduzir embriagado e causar lesões médias ou danos ligeiros pode levar a 6 meses de prisão, e uma reincidência no prazo de 2 anos pode levar a até 2 anos. A reparação voluntária e integral de danos ligeiros pode excluir a responsabilidade em casos definidos. Um capítulo específico sobre infrações digitais abrange o acesso ilegal, a coação para transferir informação, a destruição ou alteração de dados, a interrupção de sistemas ou redes de informação, a apropriação ilegal, informação falsificada, programas maliciosos, informação eletrónica de acesso restrito, recursos da Internet para fins ilegais, manipulação de cartões SIM ou IMEI e violações das regras técnicas relativas a drones. As consequências vão de multas e trabalho corretivo a penas de prisão até 10 anos para infrações graves ou atos de grupo que causem consequências graves. O processo penal reconhece as vítimas através do investigador, do procurador ou do tribunal. As vítimas podem receber informações, apresentar provas, requerer medidas, consultar os autos após a investigação, participar nos processos, nomear um representante, pedir indemnização e recorrer de decisões. Familiares próximos podem herdar direitos processuais quando a vítima morre. Uma ação cível relativa a danos materiais pode ser apresentada e julgada juntamente com o processo penal. Uma lei específica prevê a proteção estatal de vítimas, testemunhas e outros participantes. Menores são pessoas com idade entre 14 e menos de 18 anos. A responsabilidade penal geral começa aos 16 anos. A partir dos 14 anos, a responsabilidade aplica-se apenas a infrações graves enumeradas, incluindo homicídio doloso, lesões corporais graves, violação, furto, roubo, extorsão, apropriação ilícita de um veículo e determinadas infrações relativas a armas ou narcóticos. A determinação da pena de um menor considera o desenvolvimento, as condições de vida e educação, a saúde, a escolaridade e a influência de adultos. As penas disponíveis incluem multa, trabalho corretivo, restrição da liberdade e prisão. O trabalho corretivo está limitado a menores com pelo menos 16 anos e aptos a realizá-lo. A prisão está limitada a 1 ano para infrações menores, 5 anos para médias, 9 anos para graves e 12 anos para especialmente graves. Uma primeira infração menor ou média não resulta em prisão, e podem aplicar-se medidas educativas. A prisão é cumprida em colónias correcionais, colónias de povoamento, estabelecimentos de regime geral, rigoroso ou especial, prisões, colónias educativas e instituições médico-correcionais. Entre os objetivos declarados estão a correção, a prevenção e a adaptação social. O trabalho, a educação, a formação profissional e o apoio psicossocial podem fazer parte da execução. As visitas curtas podem durar até 4 horas e as longas até 3 dias. O Provedor de Justiça pode visitar prisões sem autorização especial, e as queixas dos reclusos devem ser encaminhadas sem censura no prazo de 24 horas. O apoio à libertação pode incluir assistência para encontrar trabalho e habitação. O sistema formal prevê amplas garantias processuais, mas relatos externos documentaram alegações de detenções arbitrárias, tortura ou maus-tratos, condições prisionais duras, independência judicial limitada, detenção incomunicável e acesso tardio ou inconsistente a advogados. Não há dados públicos nacionais fiáveis sobre processos criminais e prevalência. Estas condições de aplicação podem afetar o desenvolvimento prático de um caso, mesmo quando a regra legal é clara.
Direito penal no Turquemenistão
O direito penal no Turquemenistão define a conduta criminosa, a investigação, os processos judiciais, as penas e os direitos das pessoas acusadas e lesadas. O Código Penal aplica-se em todo o país e reconhece a legalidade, a igualdade, a culpa pessoal, a justiça e o tratamento humano. Só um tribunal pode impor uma pena criminal, e a pessoa presume-se inocente até haver condenação definitiva.
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