Há estruturas religiosas nos cinco velayat e em Ashgabat. Os dados oficiais do censo registaram mais de 7 milhões de residentes em dezembro de 2022, enquanto uma estimativa do governo dos Estados Unidos situava a população em 5,7 milhões em meados de 2023. A mesma fonte estima que cerca de 93% da população seja muçulmana, maioritariamente sunita, e cerca de 6% pertença a comunidades ortodoxas orientais, principalmente ortodoxas russas e apostólicas arménias. Também existem comunidades menores xiitas, bahá’ís, católicas romanas, protestantes, batistas, pentecostais, Testemunhas de Jeová, ISKCON e judaicas. A comunidade judaica é estimada em cerca de 200 pessoas. As comunidades xiitas estão particularmente associadas a Ashgabat, às zonas junto ao Irão e a Turkmenbashi. Estes valores são estimativas, não uma medida nacional definitiva da filiação religiosa. A Constituição protege a liberdade de escolher, mudar, professar ou recusar uma religião e de praticar o culto sozinho ou com outras pessoas. As pessoas não têm de revelar as suas crenças nem de participar em atividades religiosas, e os estrangeiros e apátridas têm as mesmas liberdades religiosas formais. As organizações religiosas são juridicamente iguais, mas não são permitidos partidos religiosos, e os motivos religiosos não dispensam do cumprimento das obrigações estatais. As autoridades podem restringir atividades para proteger a ordem constitucional, a moralidade pública, a saúde, os direitos, a defesa ou a segurança. Uma organização religiosa só adquire personalidade jurídica depois de se registar no Ministério da Adalat. O registo exige, em geral, pelo menos 50 cidadãos adultos do Turcomenistão com residência permanente, estatutos, ata de constituição, endereço jurídico, dados dos fundadores e o pagamento da taxa exigida. O pedido é apresentado pelo menos um mês após a constituição. O ministério decide normalmente no prazo de um mês, embora o prazo possa prolongar-se até três meses quando são necessários documentos adicionais ou uma análise especializada. A atividade religiosa não registada é proibida. A Comissão do Trabalho com Organizações Religiosas e da Análise Especializada de Recursos com Informação Religiosa e de Produtos Editoriais e Gráficos coordena a supervisão, trata reclamações e aprova a direção e as ligações internacionais de um centro espiritual estrangeiro. Os órgãos executivos locais também participam nas decisões sobre condições religiosas, ritos fora dos locais de culto e localização ou construção de locais de culto. As organizações registadas podem utilizar fundos, donativos e bens próprios. Os subsídios estrangeiros e a assistência técnica, financeira ou humanitária exigem registo e relatórios intercalares e finais. A lei proíbe contribuições obrigatórias. O Ministério da Adalat pode examinar os estatutos e as atividades da organização, emitir advertências e supervisionar finanças e subsídios. Um tribunal pode suspender uma organização por até seis meses ou ordenar a sua dissolução por infrações legais, estatutárias, extremistas ou de segurança. O culto e os ritos religiosos realizam-se geralmente em locais de culto registados, locais de peregrinação e cemitérios. As pessoas podem solicitar ritos em casa, hospitais, instituições sociais ou centros de detenção segundo os procedimentos aplicáveis, mas as atividades em casa não podem tornar-se massivas ou sistemáticas. As atividades fora dos locais de culto seguem um procedimento legal, e a prática militar é regulada pela lei dos militares. A literatura e os objetos religiosos importados ou distribuídos por organizações têm de passar por análise especializada de estudos religiosos. A posse e utilização privadas de materiais religiosos em qualquer língua são legalmente permitidas, enquanto conteúdos extremistas, separatistas, fundamentalistas ou de incitação são proibidos. O relatório do governo dos Estados Unidos de 2023 não registou importações de literatura religiosa impressa e indicou que alguns materiais eram obtidos em formato digital. Oraza baýramy e Gurban baýramy são feriados nacionais. As datas seguem o calendário lunar e os decretos presidenciais anuais. Em 2025, Oraza baýramy ocorreu a 30 de março, tendo o dia de descanso passado para 31 de março; Gurban baýramy foi celebrado de 6 a 8 de junho, com um dia de descanso transferido para 9 de junho. Estes procedimentos podem mudar todos os anos. O Estado também organiza o acesso ao Hajj. Para 2026, uma ordem presidencial previu 289 peregrinos, num voo especial da Türkmenhowaýollary entre 21 de maio e 11 de junho, a expensas do Estado. As regras locais de seleção e os custos suportados pelos peregrinos não foram publicados. Um relatório governamental separado de 2025 referiu cerca de 3.000 peregrinos que regressavam; os valores publicados parecem, portanto, referir-se a quotas ou fases diferentes e não devem ser somados. A educação religiosa é separada do sistema de ensino estatal. A aprendizagem religiosa é geralmente permitida, mas um menor precisa de aprovação da Comissão, do consentimento de um progenitor ou representante legal e do seu próprio consentimento; o ensino fora do horário escolar está limitado a quatro horas semanais. As instituições de educação religiosa precisam de licença, os professores precisam de formação religiosa e de aprovação da direção religiosa central ou da Comissão, e a instrução religiosa privada é proibida. A Universidade Estatal do Turcomenistão, em Ashgabat, tem um programa universitário de estudos islâmicos; as mulheres estão excluídas desse programa. Os altos clérigos muçulmanos também precisam de aprovação estatal. O clero protestante recebe muitas vezes formação no estrangeiro ou através de ensino à distância. As cerimónias religiosas de nascimento, casamento, funeral e outros acontecimentos da vida continuam disponíveis em casas, cemitérios e instituições, mediante pedido. O registo formal de nascimento, casamento, divórcio e óbito pertence ao ZAGS e aos conselhos Gengesh. Um casamento religioso atual não substitui o registo civil. Apenas os registos religiosos históricos do período anterior ao sistema ZAGS têm reconhecimento formal equivalente. Não há uma tabela nacional fiável e atual de custos ou prazos para cerimónias religiosas. A Comissão tem o mandato legal de promover a tolerância, processar reclamações e coordenar contactos religiosos nacionais e estrangeiros. As mesas-redondas organizadas pelo Estado com representantes religiosos e a cooperação de 2025 do Ministério dos Negócios Estrangeiros com a Aliança das Civilizações das Nações Unidas revelam uma forma de diálogo religioso moderada pelo Estado. Não há provas de plataformas interconfessionais nacionais independentes. Ainda assim, a prática pode acarretar riscos sociais ou administrativos, sobretudo para grupos minoritários fora das grandes cidades e para pessoas que se convertem do Islão. Relatórios da USCIRF sobre 2025 descreveram inspeções relacionadas com o Ramadão em Balkanabat, Dashoguz e Ahal, incluindo interrogatórios a homens barbudos, a remoção de véus de mulheres, pressões que afetaram o emprego e a detenção de adolescentes que participavam em orações noturnas. O relatório também descreveu interferências em serviços ortodoxos durante a Quaresma e o Ramadão em Dashoguz e processos contra Testemunhas de Jeová por atividade missionária e objeção de consciência ao serviço militar.
Religião no Turcomenistão
O Turcomenistão é um Estado secular, sem religião estatal ou obrigatória, e as pessoas podem seguir, mudar ou rejeitar uma religião. O Islão, principalmente sunita, é a fé maioritária; também há comunidades ortodoxas russas e comunidades menores apostólicas arménias, xiitas, bahá’ís, católicas, protestantes, Testemunhas de Jeová, ISKCON e judaicas. As organizações religiosas podem funcionar legalmente após o registo, mas o culto, a educação religiosa, a literatura e as ligações estrangeiras continuam sujeitos a procedimentos e supervisão estatais. Os feriados islâmicos e o Hajj são reconhecidos publicamente e organizados através de mecanismos controlados pelo Estado.
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